29/07/2016

J. K. Rowling como Robert Galbraith



J. K. Rowling conquistou vários corações (incluindo o meu) com a famosa saga de Harry Potter. Por isso, naturalmente, ficamos sempre curiosos quando ela lança um novo livro, pois temos a perspectiva de que vem escrita de qualidade por aí.

Com o pseudônimo de Robert Galbraith, Rowling inova na área do romance policial com a série protagonizada pelo detetive particular Cormoran Strike. Li o primeiro livro da série "O Chamado do Cuco" e digo a vocês que esperava bem mais. O livro não teve um final que me surpreendeu, a narrativa é meio entediante em algumas partes, as personagens não me conquistaram, além de ter achado a relação de personagens confusa.

Eu sou fã de narrativas policiais e de suspense, e penso que o grande diferencial desses gêneros é a surpresa que o leitor tem ao final, com o desfecho do enredo. No entanto, na metade para o final do livro "O Chamado do Cuco" já sabia quem havia cometido o assassinato. Foi simples e sem grandes surpresas.

Por isso, fiquei decepcionada. Creio que quem é acostumado à leitura de Agatha Christie também o ficará.

Beijos! ;*

19/06/2016

[Opinião] Aborto de feto com microcefalia.


Quando se trata de aborto, o tema é sempre polêmico... Mas, com essa trágica onda de crianças nascendo com microcefalia, tem ganhado corpo o debate do aborto no caso de fetos com microcefalia no Brasil, inclusive por pessoas que nunca sequer entraram nesse debate sobre a legalização ou descriminalização do aborto.

E o que me deixou mais intrigada - e preocupada! - foi ler uma reportagem com a Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Flávia Piovesan, onde ela coloca claramente sua posição favorável ao tema (sim, apesar do currículo da Flávia, não vamos esperar outra coisa de uma pessoa que assume um cargo num Governo extremamente conservador e golpista).

Há pouco tempo atrás, conversando com uma amiga, fui me dar conta da gravidade do problema. E, de como essa pauta é extremamente perigosa e dá margens para outras piores surgirem.

Eu sou favorável à descriminalização do aborto e, como consequência, a sua legalização. No entanto, quando nós falamos que o aborto deve ser legalizado, é justamente porque a prática dele tem limites que, se não forem obedecidos, colocam em risco a própria saúde da mulher. Apesar de haverem divergências entre os movimentos feministas, eu defendo a tese de que a realização do aborto deva ser realizada nos três primeiros meses de gestação (até a 12ª semana). Isso porque esse ainda é um período de formação do córtex cerebral do feto, além das consequências para o corpo da própria mulher não serem tão drásticas. Majoritariamente, os movimentos que defendem a legalização do aborto o fazem tendo em vista esse limite de três meses. Só que aqui, a discussão tem mais a ver com a autonomia da mulher sobre o próprio corpo e sua vida.

Quando falamos do aborto de fetos com microcefalia, a perspectiva é bem diferente. Me parece mais uma "limpeza de raça", no pior estilo nazista. A preocupação é que isso abra precedentes para aborto nos casos de fetos com Síndrome de Down, por exemplo. Além disso, muitas mulheres descobrem a microcefalia de seus fetos em estágios avançados da gravidez, o que traria imensas complicações para a própria mulher que deseja abortar.

Na minha opinião, o aborto de fetos com microcefalia é totalmente diferente dos fetos anencéfalos. Isso porque a expectativa de vida destes últimos é extremamente pequena, muitos quando nascem, não enxergam, não escutam e sequer são capazes de sentir dor. Ao contrário desse quadro, a criança que nasce com microcefalia tem expectativa de vida muito maior, muitos chegam à fase adulta da vida.

Por isso tudo, me preocupa esse tema estar ganhando corpo no Brasil, principalmente por parte de um setor que sequer está preocupado com o direito das mulheres, mas sim em retirar a responsabilidade do poder público dos casos de crianças que nascem com microcefalia.

Enquanto isso, a pauta da legalização do aborto simplesmente desapareceu do Congresso Nacional. É lamentável os direitos das mulheres estarem nas mãos de homens.

12/06/2016

A Escolaridade da População Brasileira e a gestão de Fernando Haddad (Ministério da Educação)

Para o meu projeto de mestrado, estou lendo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", realizada pelo Instituto Pró-Livro e lançada em maio de 2016. Logo de cara, a pesquisa mostra o quadro da evolução da escolaridade da população brasileira, fazendo um comparativo do ano de 2002 para 2015 (ano da pesquisa).

Nesse quadro, observamos o seguinte:
- A quantidade de não alfabetizados diminuiu de 14% para 9%.
- A quantidade de brasileir@s que só possuem o Fundamental I (1º ao 5º ano) diminuiu de 36% para 26%.
- Já entre aquel@s que só possuem o Fundamental II (6º ao 9º ano) diminuiu - mas, muito pouco - de 24% para 22%.
- Já @s brasileir@s que só possuem o ensino médio subiu assustadoramente de 14% para 29% (essa foi a maior diferença!).
- E, por fim, a quantidade de brasileir@s com ensino superior dobrou: de 7% para 14%.

E ainda têm @s que dizem que o país não avançou com a educação no Governo do PT... 

Mas, o que eu queria realmente ressaltar é que o período de maior evolução foram nos anos de 2005 a 2012, na gestão de Fernando Haddad. Na gestão dele como Ministro observamos que:

- Não alfabetizados diminuíram de 13 para 10%;
- Fundamental I diminuiu de 33 para 27%;
- Fundamental II diminuiu de 23 para 22% (como disse antes, foi a menor diminuição);
- Ensino Médio aumentou de 22 para 28%; e
- Ensino Superior aumentou de 8 para significativos 12% (se lembram das expansões das Universidades Federais e os programas de financiamento nas particulares?).

Ele é o cara! <3

P.S.: Antes que os idiotas de plantão apareçam, aviso que a análise acima foi feita com base em critérios objetivos, ou seja, em números. E sobre isso, não há o que contestar. Quem quiser ter acesso à pesquisa, clique aqui.

07/05/2016

Participação Popular



Acho que tem uma coisa perigosa acontecendo no país que é a criminalização da política. Na realidade, acho que esse é um fenômeno que já vem se arrastando por um tempo, no entanto, com essa crise política no país isso ficou bem mais latente. E perigoso.

Esse "fenômeno" parte do pressuposto de que todas as pessoas democraticamente eleitas, seja para o executivo ou legislativo não prestam, ou seja, são corruptas. Sim, a corrupção é um mal que aflige o Brasil, no entanto, isso não pode ser generalizado.

Primeiro porque "os políticos" são eleitos pelo voto popular. O que significa que, se ele está lá é porque teve a quantidade de votos suficientes para ocupar esse espaço. E se ele teve a quantidade de votos suficientes é porque várias pessoas votaram nele. É uma lógica simples, mas nos esquecemos. E nos esquecemos por um fato muito simples: é mais fácil colocar a culpa no outro do que nos responsabilizarmos. 

Outro fato interessante é que existe muita gente boa, sim, ocupando os espaços de poder. Muito parlamentar com ideias boas, que trabalham, são honestos e que tentam fazer a diferença. Não dá para generalizar. Se acompanhássemos melhor a vida política de nosso país, saberíamos disso.

Acho que está no momento do(a) brasileiro(a) perceber que o seu voto é um instrumento de mudança social e faz sim a diferença. Eu sei em quem eu votei nas últimas eleições, em 2014, e acompanho o mandato daqueles que conseguiram se eleger. É o mínimo que posso fazer. Mas sou exceção, boa parte não está nem aí. E não entende como o seu voto pode interferir diretamente na sua vida.

É muito fácil criticar estando de fora do processo. Uma coisa que aprendi é que se você não participa do processo político, outra pessoa irá participar e o irá fazer de uma forma que talvez (e, muito provavelmente), não te agrade. Por isso que é importante a nossa participação. No Brasil, os movimentos populares e estudantis estavam adormecidos, no entanto, em meio a tanta crise e falta de caráter de muitos parlamentares na condução desse processo de impeachment, eu vejo muitas pessoas participando novamente do processo de participação democrática e novas pessoas surgindo, o que é muito legal. Mas, ainda, insuficiente.

Eu resolvi fazer essa postagem, porque vejo muita gente que forma opinião sempre criticando a "classe política" e conquistando a opinião. A mídia também tem feito esse papel de forma muito intensa. Isso tudo é um perigo.

Precisamos entender que a política é instrumento de transformação. Mas se não nos dermos conta do nosso papel, ela será um instrumento de manutenção dos "Cunhas" que continuam no poder.

16/02/2016

"O Sorriso da Hiena", de Gustavo Ávila

Alguém aqui já viu o sorriso de alguma hiena?

Prazer... sorriso da hiena! =)
No reino animal, é muito conhecido e peculiar o sorriso da hienas. Segundo um estudo realizado por cientistas da Universidade da Califórnia (EUA), o principal motivo do ruído emitido pelo animal é de frustração. Ainda segundo a pesquisa, o riso desse animal varia de acordo com a posição que ele pertence no grupo, de tal forma que, quanto mais inferior a sua hierarquia, maior o seu riso.

Pois bem, esse peculiar (e, convenhamos, engraçado) sorriso foi a inspiração para o título do livro de um dos mais novos e brilhantes escritores brasileiros, o Gustavo Ávila. E, ao lermos o livro, percebemos que tem tudo a ver com o enredo.

O Sorriso da Hiena
304 páginas
Gente, e que livro f***!!!! Pelo amor de Deus, o que foi isso?? Sem brincadeira alguma, esse foi um dos melhores romances policiais que eu já li na vida, sendo até melhor que alguns policiais do Stephen King (aliás, "Joyland" não é lá essas coisas que andam dizendo por aí...).

Mas, deixando a euforia de lado, vamos nos ater ao enredo em si. Segundo a sinopse:

Deus não escreve a sua história. Só risca as linhas. Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioro David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência esse trauma na vida delas. Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar um ato de crueldade quando, por trás dele, há a intenção de fazer o bem? 

Diferente de outros livros nos quais tenho comentado ultimamente, eu quis colocar a sinopse como ponto de partida do nosso bate papo, porque eu acho que a sinopse e o início do livro nos falam muito sobre o que será e como será o enredo. Na minha opinião, o livro possui um "trio parada dura", formado por um protagonista, o David, por um antagonista, o Artur, e por uma personagem secundária, o William.

O David, como a própria sinopse e o prólogo do livro irá nos narrar, é um cara que aos oito anos presenciou a morte brutal de seus pais. Esse é um trauma que o seguirá por toda a sua vida e, quando adulto, ele resolve fazer o mesmo com outras crianças, de diferentes classes sociais e com diferentes histórias de vida, como uma espécie de teste para descobrir até que ponto esse trauma irá influenciar as suas vidas. Por outro lado, o William é um psicólogo que trabalha com crianças e é escolhido pelo David para acompanhar e fazer um estudo dos casos, com um detalhe: o William nunca tem contato com o David, nem sabe quem ele é pessoalmente.

No meio dessa confusão de vários assassinatos acontecendo, a polícia começa a investigar e ligar os casos, tentando chegar ao autor dos crimes. Um dos melhores detetives da polícia, o Artur, é chamado para investigar as ocorrências. Artur é uma pessoa que tem dificuldade de se relacionar com outras pessoas, por isso não é bem quisto pela corporação, porém, é considerado uma das mentes mais brilhantes para solucionar casos.

A história é brilhante, nos dando a impressão que cada detalhe, desde o modo de vida até uma passagem bíblica, é super importante para o desenrolar do enredo.

O narrador é uma terceira pessoa (aquele "famoso", que tudo sabe e que tudo vê), o que facilita o desenvolvimento da história e o conhecimento, por parte do leitor, dos fatos que ocorrem no decorrer da narrativa.

A narrativa do livro é tão empolgante, que a gente não quer parar de ler. E, quando mais o livro vai acabando, mais a gente vai se prendendo à história. E, gente... o final é surpreendente! Eu acho que esse é um livro de leitura fácil e rápida, então, se você puder, leia agora. Vale muito à pena!

Um dica... Sabe aqueles crimes perfeitos? Pois bem, é o caso.

Uma querida amiga, a Claudinha, me atentou ao fato do final do livro ter uma certa semelhança com o final do filme argentino "O Segredo dos Seus Olhos", dirigido por Juan Jose Campanella. O filme está disponível na Netflix, então, fui assistir. E não é que tem certa semelhança o final mesmo? Aliás, esse filme é igualmente incrível, apesar do enredo ser bem diverso do caso desse livros. Fica a dica!

O livro pode ser encontrado no link a seguir, caso você tenha interesse: http://osorrisodahiena.com.br/. Creio que o livro não esteja mais disponível para a venda, mas o e-book está e é tão baratinho, que vale muito comprar!

Um beijo e até mais! ;*

10/02/2016

Sobre os três anos da Amazon no Brasil (parte 1)

Livro é mercadoria? Ou um meio necessário à educação?



No último 26 de janeiro, a Amazon completou três anos no mercado de livros aqui no país. A Amazon é uma empresa que divide opiniões no mundo, principalmente entre os leitores e os livreiros. Amada pelos primeiros e odiada pelos segundos, ela tem como prática vender livros muito baratos (muitas das vezes com mais de 80% de desconto em comparação com as demais livrarias) sendo, por isso, acusada de manter uma prática predatória do mercado.

Essa é a primeira de uma série de postagens que pretendo fazer, no decorrer do ano, sobre essa empresa. Inicialmente, cumpre frisar que minha opinião é de leitora, mas também de advogada, que estuda direito regulatório e concorrência no Brasil.

Para início de conversa, antes de comprar um livro ou e-book online, sempre faço uma pesquisa entre os sites da Livraria Cultura, Saraiva, Americanas, Submarino e Amazon. E é impressionante como em 97% das vezes é mais vantajoso comprar na Amazon. Os preços são mais acessíveis, a entrega é rápida e, quando eu tenho que pagar o frete, ele é muito barato. Aliás, quero aproveitar a oportunidade e elogiar a transportadora que trabalha para a Amazon, a Direct Express Parcel Service S/A, porque eles entregam a mercadoria com muita antecedência da data prevista! Esse conjunto de fatores, para mim, como leitora, é excelente! E não é à toa que essa empresa tem conquistado cada vez mais os corações dos leitores.

Comprar livros, de boa qualidade, no Brasil é uma tarefa cara. Quando eu falo livros de boa qualidade, falo não só do material do livro, mas também da tradução (no caso de livros estrangeiros). Por exemplo, sabemos que a Martin Claret tem preços muito baratos de grandes clássicos da literatura, mas por outro lado, são livros pequenos (versão pocket) e com péssimas traduções. Ora, se for possível escolher, claro que darei preferência para livros de capa dura, com um espaçamento maior, com folhas mais grossas, onde tenha um texto de apoio antes de cada obra... Mas, em geral, esses livros são muito caros e a Amazon nos dá a oportunidade de comprarmos esses tipos de livros com um preço mais acessível.

E ainda tem o mercado dos e-books. O Kindle, comercializado pela Amazon, tem uma qualidade superior aos outros ereaders do mercado. O Kobo, comercializado pela Livraria Cultura, consegue manter uma competição na qualidade do aparelho, no entanto, ao compararmos os preços dos e-books... os da Amazon possuem preços muito mais baratos se comparados aos preços da Livraria Cultura, motivo pelo qual o Kindle conquistou o coração de muitos leitores. E ainda há a ideia do Kindle Unlimited, que é o programa de aluguel de e-books, onde o leitor paga quase R$ 20,00 (vinte reais) por mês e consegue ler uma gama de livros que estão à disposição no programa. Ou seja, uma ideia altamente revolucionária nesse mercado para o leitor, que terá acesso à grandes livros por esse pequeno valor.

#meuBoxy
Como disse no início dessa postagem, a Amazon completou três anos no Brasil e, em comemoração, fez uma série de promoções de livros e e-books (os preços chegavam a até 80% de desconto!) e estava dando desconto de R$ 80,00 (oitenta reais) na compra de um Kindle. Acabei fazendo pedido de um box da Editora Nova Fronteira, dos livros "Ilíada" e "Odisséia", de Homero. O box, que custa nas outras livrarias por volta de R$ 69,90 (sessenta e nove reais e noventa centavos), na Amazon estava (e ainda está) por R$ 41,90 (quarenta e um reais e noventa centavos) e paguei quase R$ 7,00 (sete reais) de frete. O livro chegou com uma semana de antecedência do previsto e ainda ganhei um mimo da Amazon (um bonequinho #meuBoxy). Ou seja, economizei, no mínimo, R$ 21,00 (vinte e um reais), o que já faz uma grande diferença no meu orçamento.

Diante desse quadro inicial e sucinto, como eu, uma pessoa que lê cerca de 50 livros por ano, não vou ter preferência por uma empresa como essas?

31/01/2016

"Palavras de Poder - Entrevista com Monja Coen", de Lauro Henrique Jr

Editora Leya
Nota: 5/5

Olá, pessoas queridas! Tudo bem com vocês?

Então, hoje iremos conversar um pouco sobre um livrinho delicioso que li em um pouco menos de uma hora, denominado "Palavras de Poder - Entrevista com Monja Coen". Na realidade, Lauro Henrique Jr lançou dois livros, um foi o "Palavras de Poder: Volume Brasil" e "Palavras de Poder: Volume Mundo", onde ele transcreve várias entrevistas feitas com personalidades da espiritualidade e do autoconhecimento do mundo. Essa entrevista que irei comentar rapidamente faz parte do Volume Brasil e nós podemos encontrar separadamente na Amazon ou o volume completo. Aliás, no site da Amazon, todos esses livros fazem parte do Kindle Unlimited, aquele programa de aluguéis de livros.

A Monja Coen é uma fonte de inspiração para a minha vida. Antes de conhecê-la eu já estudava - ou melhor, tentava - estudar o budismo, no entanto, achava uma religião cheia de dogmas e, até certo ponto, difícil de compreender. Daí eu conheci a Monja e seus programas na Rádio Mundial. E, como consequência, conheci o Zen Budismo e a minha visão dessa religião ficou mais simplificada.

Um das principais lições que tenho aprendido com a Monja é que podemos continuar acreditando em Deus e seguindo os ensinamentos de Buda. Isso era algo que eu tinha muita dificuldade de compreender, principalmente com o ensinamento de outras correntes budistas, mas daí percebi que dá para conciliar essas duas crenças e, acima de tudo, que é importante e que a vida faz mais sentido se conciliarmos. Quero em outros momentos falar sobre outros ensinamentos que estou tendo com o Zen Budismo, mas de antemão queria frisar esse, devido ao momento de intolerância religiosa em que vivemos.

Pois bem, a entrevista é curta, mas muito esclarecedora. Se você não conhece a Monja Coen ou o Zen Budismo, vale a pena a leitura. O nome da Monja é Claudia Dias Batista de Souza e ela foi ordenada monja em 1983. Antes ela era jornalista e participou de várias atividades de contracultura no país. Ela fundou a comunidade Zen Budista no Brasil em 2001. Co significa "só" e En significa "completa", então, podemos dizer que ela é uma monja "só e completa".

Na entrevista, ela irá falar de alguns conceitos introdutórios do budismo, como o caminho do meio e o que significa ser uma pessoa virtuosa, como lidamos com o sofrimento, bem como a presença absoluta.

"Temos que nos tornar uma ponte que auxilia os outros em sua travessia do mar de sofrimento para o espaço de comunhão e compreensão superior".
"Aprecie o caminho".
Acho que falar mais seria estragar a delícia que é esse livro. Fica aqui a dica de um livro carregado de espiritualidade e rápido de ser lido, perfeito principalmente para aqueles momentos de descanso.

Para acessar o site da Monja Coen é só clicar aqui.

Um beijo e até mais! ;*

26/01/2016

"A Sangue Frio", de Truman Capote

Editora Companhia das Letras
Tradução: Sergio Flaksman
Nota: 4/5

Sinopse do livro aqui.

Olá pessoas queridas! Tudo bem com vocês? Então, vamos conversar um pouco sobre um dos grandes livros do Truman Capote, "A Sangue Frio". Esse livro está em dois desafios que estou participando, o "30 Livros para Ler Antes dos 30" e "12 Livros para 2016".

Eu fiquei muito interessada na história depois de ver um comentário em um vídeo da Tatiana Feltrin e, principalmente, após ver o filme "Capote", no qual o incrível Philip Seymour Hoffman fez o papel do Truman Capote e ganhou, dentre outros prêmios pelo papel, o Oscar de melhor ator.

Inicialmente, importante destacar que o livro faz parte de uma espécie de gênero literário chamado "Jornalismo Literário", no qual, apesar de não ser o primeiro a escrever esse gênero, Truman Capote é o seu maior expoente. Para compreender melhor o jornalismo literário, essa matéria aqui é bem interessante. Então, vamos dizer que a estrutura é um pouco diferente dos livros de ficção que estamos acostumados a ler, se assemelhando muito com os gêneros de não ficção (sim, que é o que realmente esse livro é).

Pois bem, Truman Capote, já um escritor conhecido e influente, em novembro de 1959, toma conhecimento, através de uma notícia de jornal, do assassinato brutal de uma família de quatro pessoas, na pequena cidade de Holcomb, no Kansas, Estados Unidos. A partir dessa notícia, ele vai à cidade tomar conhecimento dos fatos e começa a colher materiais que resultaram nesse brilhante livro.

A família assassinada são os Clutter, uma família muito prospera e também muito querida na cidade. Aliás, a cidade Holcomb me pareceu uma cidade pequena, onde todos se conhecem (ao menos de vista) e também muito tranquila e muito familiar. O que tornou o crime mais bárbaro ainda. A cidade era tão tranquila que, no primeiro capítulo da narração, o escritor vai nos informar que os Clutter dormiam com as portas abertas, tal era a segurança e tranquilidade da localidade.

Família Clutter assassinada
No primeiro capítulo, já ficamos sabendo quem são os assassinos (Perry e Dick) e a descrição do dia antes da morte da família (14 de novembro de 1959), tanto uma descrição detalhada do que a família fez e com quem estiveram, como um relato da preparação dos assassinos para o crime. Os outros capítulos são dedicados à descoberta da família morta, o impacto que tal notícia teve na cidade, as investigações, a descoberta dos assassinos, bem como o seu julgamento e a morte dos mesmos.

Quando da publicação da história (inicialmente em um jornal e, após, condensada em um livro), ocorreram muitas polêmicas em torno da mesma. Primeiramente, pelos personagens alegarem não terem dito aquilo que necessariamente estava escrito. Capote usava uma técnica na qual ele não precisava utilizar o gravador quando ia conversar com uma pessoa, mas apenas memorizava aquilo que a pessoa falava. Ele alegava que o gravador acabava intimidando a pessoa e não fazendo com que ela expressasse tudo aquilo que ela gostaria. Porém, o perigo dessa técnica é que o escritor não descreve em sua narrativa aquilo exatamente que o personagem falou, mas a intenção de sua fala, aquilo que ele gostaria de transmitir e, isso, gerou um certo desconforto entre as pessoas que de certa foram participaram do livro como personagens. Essa é uma grande característica do Jornalismo Literário. Outro ponto de forte polêmica foi o fato de algumas pessoas falarem que Truman Capote se envolveu de forma demasiada com um dos assassinos, Perry Smith. Na verdade, podemos perceber isso claramente na própria narrativa, onde o escritor humaniza demais o próprio Perry. Dizem as boas e más línguas que Truman Capote, apesar de ser convidado, não teve condições de assistir à morte de Perry Smith, mas apenas a de Dick.

Os assassinos: Dick e Perry
De forma geral, o livro é excelente! E o mais impressionante é que a história de fato ocorreu. Não sei vocês, mas todas as vezes que eu leio uma história de não-ficção eu fico impressionada por aquilo ter ocorrido na vida real. No entanto, achei meio tediosa umas partes do livro, motivo pelo qual esse não é um dos meus favoritos da vida. Acho que até vale uma releitura, mais para a frente desse livro, porque ele merece uma segunda chance, pois boa parte da minha "decepção" se deve ao fato de ter criado muita expectativa sobre o mesmo.

Para complementar a leitura, vale muito muito a pena assistir ao filme "Capote", porque teremos uma noção de como foram os bastidores da narração dessa história, desde o momento da descoberta de Capote da história, numa página de jornal, até a publicação do livro. Esse filme é baseado numa biografia de Capote e lá temos a presença da querida Harper Lee. <3

Um beijo e até mais! ;*

12/01/2016

Sobre o medo de ler clássicos


Sim, eu confesso que tenho (ou tinha, ainda não sei muito bem) um grande medo de ler clássicos da literatura.

Não só pela leitura em si, mas principalmente pela pós leitura. Os clássicos têm um grande peso na nossa lista de leituras e parece que dão uma "grande responsabilidade" ao leitor. E esse peso aumenta quando você lê um calhamaço de mais de mil páginas... 

Enfim, ano passado abandonei a leitura de dois livros considerados clássicos, por medo. O primeiro foi "Os Miseráveis", do Victor Hugo, e o segundo foi "Grande Sertão: Veredas", do Guimarães Rosa. Simplesmente travei. Criei tanta expectativa que travei. Fiquei com medo, coloquei um peso imenso num livro e não consegui passar das primeiras cento e cinquenta páginas de cada um. Depois me senti frustada e passei a refletir sobre isso.

A verdade é que criamos tanta expectativa num livro por seu um clássico, muitas vezes sem sentido. Os livros são clássicos são importante para a literatura mundial, não temos dúvidas disso, mas são apenas livros e não monstros de "sete cabeças". Dessa forma, a gente acaba perdendo tanta oportunidade de ler bons livros nessa vida porque simplesmente nos disseram que era um livro "muito difícil" ou porque ele tem mais de mil páginas.

Acho que eu criei esse post mais como um desabafo. Porque já cansei de me pôr limitações de leitura e cansei de ouvir outras pessoas ficarem surpresas com a minha lista de livros por ler ou com o livro que eu estou lendo, como se eu não tivesse capacidade de ler tal livro. O que não é verdade, pois todos nós temos.

Esse ano irei me dedicar principalmente à leitura dos grandes clássicos da literatura brasileira e mundial. Quem ainda não viu minha lista, pode clicar aqui. Dessa forma, não espero ler muitos livros, mas apenas bons livros. E sim, irei passar pelo desafio de ler "Ulisses", de Jaimes Joyce. Porque, sim, ele é apenas um livro e eu tenho condições de lê-lo (todo mundo tem). \o/ Também já iniciei a leitura de "Guerra e Paz", de Liev Tolstoi, e retomei a leitura de "Os Miseráveis", de Victor Hugo. Esses dois espero acabar por volta de abril deste ano.

Acho que é sempre bom colocar um freio em nossos medos e encarar a leitura de grandes clássicos. É o que eu estou tentando fazer e, até o momento, estou me saindo bem. A vida é muito curta para lermos livros ruins. ;)

Beijos e até mais! ;*

10/01/2016

Lendo Os Miseráveis #1




Olá pessoas, tudo bem com vocês? :)

Hoje iremos conversar um pouco sobre o livro "Os Miseráveis", do Victor Hugo. Estou participando da leitura coletiva promovida pelo canal Livro & Café e Subindo no Telhado e se você quiser se juntar conosco nessa missão, poderá ter mais informações clicando aqui.

Nessa primeira semana li até a página 158 (Tomo I Fantine, livros 1º e 2º), seguindo o cronograma de leitura sugerido pelos blogs acima. A ideia é ler cerca de 150 páginas por semana.

"Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social,
forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos,
e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza
divino; enquanto os três problemas do século - a degradação do
homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome,
e a atrofia da criança pela ignorância - não forem resolvidos;
enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em
outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto
sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não
serão inúteis".
(Victor Hugo - 1862)

Inicialmente, antes de conversar sobre o que achei da leitura dessa primeira semana, queria contextualizar um pouco o cenário da França no final do século XVIII e início do século XIX, onde a história se passa, relembrar as nossas aulas de História. 

A França, até o século XVIII, vivia sob um regime de monarquia absolutista e a sociedade estava divida em estamentos ou estados. O primeiro estamento pertencia ao clero, o segundo estamento pertencia à nobreza e o terceiro, ao resto da população. Os direitos eram vistos de acordo com o estamento no qual a pessoa estava incluída e, claro, ao primeiro e ao segundo eram conferidos vários privilégios em detrimento do terceiro. Ainda sim, os dois primeiros estamentos não possuíam nenhum dever de manter os tesouros da Nação, ou seja, os impostos recaíam apenas ao restante da população. E esta vivia na mais completa miséria. E apesar disso, a desigualdade era vista como a ordem natural das coisas, a vontade de Deus.

A Revolução Francesa (1789-1799) foi uma série de acontecimentos que visavam acabar com as regalias do clero e da nobreza e instituir um regime onde todos fossem iguais perante a lei. No entanto, apesar de trazer a igualdade formal, as pessoas mais humildes nos pós-revolução continuaram privadas dos seus direitos mais básicos, como alimentação e moradia. Hannah Arendt, em seu livro "Sobre a Revolução" retrata com muita propriedade o legado da Revolução Francesa para o mundo e, principalmente, para a França. Abaixo, transcrevo alguns trechos de seu livro para que possamos entender a situação da França pós revolução:

"A história constitucional da França, onde mesmo durante a revolução seguiu-se uma Constituição após a outra, enquanto os homens que estavam no poder não conseguiam colocar em vigor nenhuma das leis e decretos revolucionários, pode ser facilmente lida como um registro monótono ilustrando reiteradamente o que devia ter sido óbvio desde o início, a saber, que a chamada vontade de uma multidão (se for mais do que uma ficção jurídica) é por definição sempre variável, e que uma estrutura fundada sobre ela está fundada sobre areia movediça. O que salvou o Estado nacional da ruína e queda imediata foi a facilidade extraordinária com que se podia manipular e impor a vontade nacional sempre que alguém se dispusesse a tomar a si o fardo ou a glória da ditadura" (p. 215)
"Mas tal transformação não foi possível nos países afetados pela Revolução Francesa. Nessa escola, os revolucionários aprenderam que os antigos princípios inspiradores tinham sido invalidados pelas forças nuas e cruas da escassez e da necessidade, e concluíram o aprendizado plenamente convictos de que foi a própria revolução que revelou o que de fato seriam esses princípios - um monte de asneiras. Denunciar essas 'asneiras' como preconceitos pequeno-burgueses lhes era muito mais fácil porque a sociedade havia realmente monopolizado esses princípios, desvirtuando-os e convertendo-os em 'valores' (...). também teria de admitir que nenhuma revolução, nenhuma fundação de um novo corpo político, seria possível onde as massas eram oprimidas pela miséria." (p. 281-282)
Aqui não quero desmerecer a Revolução Francesa, que sem dúvida alguma, foi um marco para o ocidente e, principalmente, para a própria Franca. Porém, é certo que uma monarquia absolutista foi derrotada e, em seu lugar, implantada uma "ditadura Napoleônica". Ou seja, só ouve uma mudança na classe dominante, antes o clero e a nobreza, agora a alta burguesia. Enquanto isso, a miséria continuava...

Os Miseráveis, de Victor Hugo
Ed. Cosac Naify
Os Miseráveis se inicia em 1815, após a Batalha de Waterloo. Em alguns trechos, ainda são narrados acontecimentos do Governo dos Cem Dias de Napoleão, quando ele fugiu da Ilha de Elba, em março de 1815, e voltou para a França.

A história é narrada em terceira pessoa, por um narrador onisciente, que tudo sabe e que tudo vê, mas que nem tudo conta para a gente. Sim, a impressão que tive é que o narrador brinca com o leitor em alguns momentos. Ele não é todo isento de opinião e nos induz a pensamentos. Ele afirma que não sabe o que se passa no íntimo de seus personagens, mas ele sabe, só não nos conta... Na minha opinião, aliás, ele é, junto com a miséria, um dos personagens principais da trama.

Logo no início, somos envolvidos pela personalidade do Bispo de Digne, Charles Myriel (D. Bienvenu). O primeiro livro, aliás, é todo dedicado a ele. O narrador não poupa páginas para descrever Charles Myriel e suas ações, sua bondade, suas dúvidas e, sim, sua opinião política. O que nos faz indagar: por que Victor Hugo gastou tantas páginas com um personagem secundário como o bispo? Na minha opinião, existem alguns motivos para tal façanha: 1) para que possamos entender melhor esse personagem e, assim, compreender melhor o motivo de sua ação com Jean Valjean; 2) porque, por mais que ele apareça explicitamente no primeiro e início do segundo livro, desse primeiro tomo, ele estará implicitamente no decorrer de toda história; e 3) como uma forma de criticar o clero.

Charles Myriel é um personagem encantador, sem dúvida. Ele foi nomeado bispo de Digne por ter agradado o imperador Napoleão com apenas uma frase. Sabemos pouca coisa da sua vida antes do clero, apenas que sua família fazia parte da aristocracia parlamentar, que foi casado e que, durante a Revolução Francesa se refugiou na Itália, onde ali sua esposa veio a falecer. Quando retornou para a Franca, sabe-se que já era padre. Em Digne, vivia uma vida simples com sua irmã, a Srta. Baptistine e a criada, Mme. Maglorie.

Sua opinião política é apresentada com muita sutileza pelo narrador, principalmente no diálogo travado com o Sr. G., um homem que foi membro da Convenção Nacional, que governou a França de 1792 a 1795. Sendo condenado pela sociedade, o homem vivia recluso e já estava prestes a morrer quando recebe a visita do bispo. O diálogo travado entre os dois é muito interessante e extremamente polêmico. Depois de lermos essa conversa podemos facilmente imaginar que o bispo fosse contra a Revolução Francesa e contra Napoleão, no entanto, difícil não ser quando toda uma população continuou na mesma miséria de antes e quando as leis continuaram a só prejudicar os mais pobres...

No Livro Dois conhecemos Jean Valjean e a sua história até a saída das Gales. Ele é basicamente o produto da própria sociedade que o despreza e o ignora. Presenciamos, no início desse segundo livro, uma crítica intensa ao sistema penitenciário, que também vale para os dias atuais. Primeiro, pela condenação de Valjean ter sido desproporcional ao crime cometido. Segundo, pela mudança do personagem, a forma como ele entra e a forma que ele sai das Gales, completamente diferente, um outro homem, que só alimenta o ódio dentro si. E, por fim, ao fato de não haver ressocialização daquele ex-presidiário com a sociedade, ao contrário, ele só se sente recriminado e excluído por essa sociedade.

No entanto, o encontro com o bispo irá transformar a vida de Jean Valjean. <3 E vai ser lindo, tenho certeza.

De uma forma geral, achei lenta e arrastada a leitura do primeiro livro, porém, a leitura do segundo livro, quando o Jean Valjean aparece, achei mais fluída. Estou ansiosa pelas próximas páginas!!

Abaixo, compartilho com vocês o Diário de Leitura de outros blogs, que também estão no projeto:


Um pouco mais sobre o processo de criação de Victor Hugo você também encontra aqui.

Um beijo e até mais! ;*
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