11/10/2015

"Vidas Secas", de Graciliano Ramos


Sinopse do livro aqui.

1. "Vidas Secas" é uma das obras mais conhecidas e a mais traduzida para outros idiomas de Graciliano Ramos. Publicada em 1938, ela faz parte da geração do modernismo no Brasil.

2. Em linhas gerais, a obra trata de uma família nordestina que está perambulando pelo sertão, buscando a sua sobrevivência. Essa família é composta por Fabiano, Sinha Vitória, o menino mais novo, o menino mais velho e a cadela Baleia. Eles chegam a uma casa "abandonada" e lá resolvem ficar, porém, logo depois, descobrem que essa casa pertence a uma terceira pessoa e, para que eles fiquem lá, terão que trabalhar para essa pessoa, que Fabiano chama apenas de "patrão".

3. Pois bem, a narrativa do livro se passa, quase toda, enquanto eles residem nessa fazenda e vamos acompanhar, no decorrer do enredo, o olhar interiorizado do escritor sobre as personagens, seus sonhos, seus conflitos e seus medos. Frise-se que o fato de cada personagem expressar o seu ponto de vista é uma característica importante nessa obra. A cada capítulo muda a perspectiva, de tal forma que as opiniões nunca são impostas pelo narrador, elas decorrem de cada personagem. O outro sempre está em perspectiva, nunca o eu.

4. O livro é composto por treze capítulos, sendo cada capítulo autônomo em relação ao outro, motivo pelo qual tal romance é classificado como "desmontável". Porém, apesar dessa autonomia, existe uma ordem cronológica nos acontecimentos, motivo pelo qual recomendo que o mesmo seja lido do início ao fim. Mas, claro, isso é uma opção do leitor.

5. Essa história poderia ser de Fabiano como de qualquer outro nordestino. E poderia ser no período do Estado Novo como de qualquer outra época. Apesar de atualmente a situação do Nordeste ter melhorado um pouco devido aos programas sociais de abastecimento de água, energia e de distribuição de renda, sabemos como ainda é difícil a situação das pessoas que ainda lidam com a seca e a pobreza iminente. Frise-se que até o final da década de noventa do século passado e início desse século, era constante a migração de nordestinos para as grandes cidades e grandes estados. Então, Graciliano Ramos, com grande sabedoria, não escreve apenas uma ficção, mas uma realidade, infelizmente abandonada até hoje pela classe política.

6. Um dos aspectos mais interessantes nessa obra literária e que sempre é comentada por quem quer que fale sobre ela é a privação da palavra. As personagens são analfabetas, não tiveram acesso à educação e, portanto, nunca tiveram oportunidade de aprender a palavra. Essa "ignorância" é passada dos pais para os filhos. Uma passagem interessante do livro é quando o menino mais velho quer saber o que significa "inferno". Ele achava a palavra tão bonita e não conseguia entender porque a mãe falava que era um lugar ruim: "Não acreditava que um nome tão bonito servisse para designar coisa ruim. E resolvera discutir com sinha Vitória. Se ela houvesse dito que tinha ido ao inferno, bem. Sinha Vitória impunha-se, autoridade visível e poderosa. Se houvesse feito menção de qualquer autoridade invisível e mais poderosa, muito bem. Mas tentara convencê-lo dando-lhe um cocorote, e isto lhe parecia absurdo." (p. 59). A falta de conhecimento sobre a palavra também priva as personagens de manterem contato com outras pessoas e de expressarem os seus sentimentos. Eles têm conhecimento apenas do básico para a comunicação, o que limita o mundo em que vivem. "Como podiam os homens guardar tantas palavras? Era impossível, ninguém conservaria tão grande soma de conhecimento" (p. 82). O mundo em que viviam era tão pequeno e pobre, que só conheciam o seu Tomás que sabia ler, ou melhor, que gastava a vista lendo demais, mas não sabia mandar era muito cortês, o que era estranho para alguém que tinha tanto conhecimento. Mas, apesar de tanta cortesia, sabia que todos obedeciam ao senhor Tomás. Fabiano ás vezes o imitava falando palavras difíceis, no entanto, achava uma grande tolice, pois entendia que um homem como ele não tinha nascido para falar certo.


7. Fabiano e família vivem praticamente isolados na fazenda. Apenas em dois capítulos há a narração da ida deles para a cidade. No primeiro, Fabiano vai sozinho à cidade comprar alguns mantimentos para sinha Vitória. Lá acaba se esbarrando com um soldado amarelo e, no final das contas, acaba sendo preso por esse soldado. Em um segundo momento, a família vai para a festa de Natal da cidade. NessAs duas situações, percebemos claramente o quanto a privação da palavra é um obstáculo para a comunicação desses sujeitos com a sociedade. Quando Fabiano é preso ele simplesmente não sabe expressar o motivo pelo qual ele está preso e, entende, por fim, que ele está preso justamente por não saber se expressar. Na ida da família para a cidade, no Natal, ocorre a mesma coisa: a dificuldade na comunicação acaba por isolá-los da companhia das outras pessoas, uma vez que, se a linguagem é o mundo, eles não entendem o mundo.

8. Uma das personagens mais interessantes do livro é a cadelinha Baleia. Baleia é membro da família e personagem ativa no livro. Ela pensa, opina, sonha, delira e cria juízo de valor. Aliás, até nome ela tem, coisa que as crianças foram privadas... Isso é considerado na literatura como antropomorfização, que é a qualidade de dar características humanas à animais e coisas. A mim, Baleia me conquistou. Aliás, o capítulo de sua morte, que é de conhecimento público, é um dos mais tristes que li. A morte de Baleia não entristece apenas os leitores, mas também Fabiano, que traz o peso de ter matado a cadelinha pelo resto da história. Por outro lado, e ao revés do que ocorre com Baleia, o ser humano em "Vidas Secas" é descrito como um animal (zoomorfização): "Vivia longe dos homens, só se dava bem com os animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, gradava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia" (p. 20).

9. O papel da mulher nessa obra também merece certo destaque. Apesar da pouca instrução, a opinião de sinha Vitória é sempre muito relevante para Fabiano. Ele a consulta sobre a educação dos menino, para que ela faça as contas do valor que ele deve receber do patrão, enfim, a relação entre os dois me parece ter um certo nível de igualdade, não identifiquei uma relação patriarcal, no sentido de só ele mandar.

10. "Vidas Secas" tem como pano de fundo a opressão que vivem os mais humildes e desprovidos de conhecimento da palavra. Após a sua prisão, Fabiano vive com a ideia na cabeça de se vingar do soldado amarelo. Seja quando está na cidade ou no seu reencontro com o soldado, tal pensamento sempre vem a sua mente. No entanto, ele prefere acomodar-se, pois, como ele mesmo pensa, governo é governo, ou seja, o soldado amarelo representa o Estado e este é o todo poderoso contra o qual Fabiano nada pode. Não obstante, Graciliano Ramos, comunista como era e inspirado pelas ideias de Marx, não poderia deixar de incluir nessa obra a relação de opressão do trabalhador. Essa relação opressora fica evidente quando Fabiano é obrigado a trabalhar para o patrão para poder ficar nas terras e na hora do pagamento, onde o patrão inventa juros exorbitantes, fazendo de Fabiano um quase devedor de seu empregador.

11. O início e o final do livro se apresentam com essa família se mudando, fugindo da seca. No entanto, a diferença é que após a seca chegar na fazenda onde estavam, eles estão com um fio de esperança e fazem planos para o futuro: querem ir atrás um lugar para morar na cidade, colocar as crianças na escola, onde terão uma profissão, e a vida será bem melhor. Percebemos o quão pequeno é o sonho dessas pessoas e até palpável para nós. Ora, o sonho da sinha Vitória é ter uma cama onde dormir! Isso ocorre porque essas pessoas não tem nada, nem o que vestir, vivem num estado de completa miséria. E o Governo, que poderia fazer tão pouco para que essas pessoas fossem minimamente felizes, não faz nada... Na minha opinião, o fato do início e fim do livro terminar com essa família fugindo da seca é muito simbólico e característico do realismo crítico de Graciliano Ramos, que é extremamente ácido. Porém, esse fio de esperança que aparece no final nos mostra que, apesar de tanta desgraça, nem tudo está perdido, a realidade pode mudar.

12. O título "Vidas Secas" não quer dizer que essas pessoas vivem apenas na seca, mas que suas vidas são secas também de direitos. A começar por elas sequer saberem que têm direitos. As personagens se colocam num estado de servidão e entendem que a vida é assim mesmo, que nasceram para apanhar, que não nasceram para aprender das letras e do mundo e que só lhes contenta ter um lugar para morar e comida para comer. Ou seja, muito pouco, sonham muito pequeno. E a gente se pergunta: mas que justiça é essa?

13. De tantos livros que eu li, não tem como não comprar este com "Vinhas da Ira", de Steinbeck. Aliás, este último foi publicado em 1939, ou seja, um ano depois da publicação da obra de Graciliano. As duas obras retratam injustiças sociais, onde as pessoas são retiradas de suas terras, migram para outra localidade, são analfabetas (mais uma vez, o problema da linguagem...), passam fome, lidam diretamente com a morte e ainda sofrem a opressão do Governo, que deveria ampará-las. Outro ponto em comum: os dois escritores foram perseguidos pelo Governo. A diferença é que a primeira se passa no Brasil e a segunda nos Estados Unidos. Mas, as realidades são as mesmas e o final dos dois livros retratam a mesma coisa: esperança.

14. Enfim, Graciliano Ramos foi e é um militante das causas sociais. Esse livro é leitura obrigatória. 


Um beijo e até mais! =*

08/09/2015

"Madame Bovary", de Gustave Flaubert

Sinopse do livro aqui.

1. “Emma Bovary c'est moi” (Emma Bovary sou eu).

2.  Madame Bovary é um clássico da literatura mundial. E isso fica mais evidente após o término da leitura. O livro é grandioso, no entanto, confesso que custei a pegar o ritmo da leitura e no início achava todo o enredo muito tedioso.

3. Antes mesmo de ler, sabia que se tratava de um caso de traição. Então, creio que isso não seja nenhum spoiler. Na realidade, o que achei mais interessante no livro não foi a traição em si, mas o desenrolar, a construção das personagens, os devaneios, as tolices e a hipocrisia de alguns. Emma é uma personagem sui generis na literatura. Uma mulher criada no campo, pequeno-burguesa e muito sonhadora, que imagina sua vida como nos romances literários. Seu sonho é encontrar um grande amor e viver tal romance intensamente. Por isso, durante a história, Emma parece lutar contra um mundo no qual ela não se sente completa. Daí porque ela procura em seus amantes essa intensa paixão, que são clichês da vida romântica. 

4. Ela conhece Charles Bovary quando este vai tratar uma fratura de seu pai. Charles era oficial de saúde na cidade de Tostes e, até então, casado com a senhora Heloise Dubuc. A impressão que temos é que ele não gostava tanto de sua esposa e, com a morte desta, acaba se afeiçoando por Emma e estes acabam se casando. Flaubert retrata este homem, a partir dos sentimentos de Emma, na seguinte frase:
"A conversa com Charles era sem relevo como uma calçada e as ideias de todo mundo nela desfilavam em seu traje comum, sem excitar emoções, riso, ou devaneio"
5. Desde o início do casamento, conseguimos perceber a felicidade de Charles e a infelicidade de Emma. E mesmo após a mudança de cidade - eles vão para Yonville e lá eles têm sua primeira e única filha, Berthe - tal situação não parece mudar muito. Aliás, a felicidade de Charles com o casamento e sua segurança em relação à esposa eram tanta, que ele não consegue perceber o sinal das traições de Emma.

6. O livro é começa sendo narrado em primeira pessoa por um sujeito indefinido que estudou com Charles na escola. Aos poucos, o narrador vai sumindo até sair de cena e dar vida própria às personagens. Aliás, apesar do livro chamar-se "Madame Bovary", o que nos faz entender ser esta a personagem principal, a sensação que tive é que ele conta a história de Charles do começo ao fim, e não da Emma.

7. O grande Henry James disse que Flaubert conseguiu uma proeza ao escrever personagens medíocres em "Madame Bovary". De fato, toda essa mediocridade é um clichê da sociedade francesa da época. Ora, ao analisarmos as personagens Emma, Charles, o farmacêutico Homais, o comerciante Lheureux, percebemos uma intensa crítica à sociedade de aparências e burguesa na França do Segundo Império.

8. Gustave Flauber  (1821-1880) prezava pela perfeição de duas obras. Tanto isso é verdade, que para escrever seus poucos livros (Madame Bovary, Educação Sentimental, Salammbo e o incompleto Bouvard e Pecuchet) ele passou anos e anos lutando com as palavras. Madame Bovary foi escrito em quatro anos e meio (1851-1856) e foi publicado em seis números da Revue de Paris, de outubro a dezembro de 1856.

9. No entanto, a publicação desse romance teve problemas com a justiça francesa e Flaubert teve que responder a um processo no qual obteve uma sentença positiva da justiça. Quando a história foi publicada em formato de livro, o sucesso foi imenso. A "cena do fiacre", onde não há nenhum diálogo, apenas um fiacre andando pelas ruas de Rouen, com Emma Bovary e o jovem Leon lá dentro, ganhou grande repercussão, por ser "escandalosa". Atualmente, Madame Bovary não causa mais escândalo e se consagrou como um dos maiores romances da literatura mundial, com o seu realismo moderno.

10. O livro não é um dos meus preferidos da vida, no entanto, confesso que ele é muito bom. Ele não se tornou um dos preferidos porque, como disse antes, custei a pegar o ritmo da leitura. A narrativa dos devaneios de Emma ou da paisagem de determinado local se tornaram um pouco cansativas. No entanto, tal "cansaço" é recompensado a posteriore, no final da segunda parte em diante. 

11. Então é isso, fica aqui a dica de um livro espetacular, uma leitura obrigatória, por ser um grande clássico da literatura mundial. 

Boa leitura!

16/08/2015

Diário de Leitura #3: Término de "Madame Bovary" e retomada da saga pelo sertão

Olá pessoas! ☺

Estou retomando meu projetinho de escrever um Diário de Leitura aqui no blog. Já escrevi outros dois, que vocês podem acompanhar no marcador "Diário de Leitura".

08 a 12 de agosto:

Bom, na semana retrasada fixei uma meta de finalizar "Madame Bovary", de Gustave Flauber e consegui finalizar o livro na última quarta-feira. Em breve, falarei melhor sobre o livro aqui no blog, mas sinceramente, achei fantástico, apesar do livro não ter entrado nos meus favoritos da vida. Isso porque achei a narrativa um pouco enfadonha em alguns momentos, principalmente na primeira parte do livro. No entanto, no final da segunda e terceira parte os acontecimentos ocorrem num ritmo um pouco (vejam bem, um pouco) mais acelerado. Não sei quem já leu, mas me deu uma pena do Charles Bovary...

13 de agosto:
Grande Sertão: Veredas: pgs. 40 a 50.

- Retomei "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa. Eu tento, tento, mas não tem jeito, não consigo ler vários livros ao mesmo tempo! Hahaha! De forma que estou lendo agora APENAS essa obra prima de Rosa.
- Gente, e essa relação de Riobaldo e Diadorim? Meio complexa, vocês não acham? Transita entre uma relação homoafetiva e uma grande amizade... Vamos acompanhar...
"Relembro Diadorim. Minha mulher que não me ouça. Moço: toda saudade é uma espécie de velhice".
- Identifiquei-me um pouco quando Riobaldo fala que não teve pai. E achei bem mais interessante sua narrativa sobre os homens que mudam de lugar muito facilmente. Por conta das secas, muitos sertanejos mudavam de lugar à procura de água e trabalho. E pelo caminho, constituíam muitas famílias. Isso era uma realidade mesmo do grande sertão. Guimarães Rosa era um sábio social.
- Nesse trecho percebi a presença de Medeiros Vaz e sua tropa de jagunços, os "medeiro-vazes" (p. 45). Também conhecemos um pouquinho do Joca Ramiro.
- Ida para o sul da Bahia... Triste travessia.
"Viver é muito perigoso"

14 de agosto:
Grande Sertão: Veredas: pgs. 51 a 59.

Travessia pelo sertão da Bahia e retorno.
"Fui fogo, depois de ser cinza" (p. 56)
15 de agosto:
Grande Sertão: Veredas: pgs. 60 a 100.

- Foi o dia em que li mais. A leitura está sendo mais fluída, acho que a gente começa a se acostumar com o linguagem do sertanejo. Tenho lido em voz alta e isso facilita demais a compreensão.
- Para os jagunços, a morte é algo corriqueiro, que faz parte da vida. Dessa forma, percebemos na narrativa que não há grande comoção quando alguém morre, uma vez que já é algo do seu cotidiano. Uma coisa tão certa quanto o viver.
"O real não está na saída nem na chegada: ele dispõe pra gente é no meio da travessia" (p. 64)
"Qual o caminho certo da gente? Nem para a frente nem pra trás: só para cima".

- Não quero fazer spoiler, mas alguém inesperado aparece e, enfim, muda o jogo para aquele grupo de jagunços, no qual Riobaldo faz parte.

"Vingar, digo ao senhor: é lamber, frio, o que o outro cozinhou quente demais" (p. 94)


26/07/2015

"Anjo da Escuridão", de Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe

Editora: Record
Páginas: 398
Tradução: Michele Gerhardt Macculloch
Sinopse do livro aqui.

1. Esse foi o primeiro livro lido por mim de Sidney Sheldon. Quer dizer, não podemos dizer que o livro foi escrito totalmente por ele. Esse é mais um dos livros não acabados de Sidney. E, assim como ocorreu com "A Senhora do Jogo", "Depois da Escuridão" e "Sombras de um Verão", a família Sheldon convidou uma discípula para finalizar as obras, no caso, a Tilly Bagshawe. Dessa forma, não poderei tecer comentários sobre se o livro seguiu a linha de Sidney e nem compará-lo com suas outras obras.

2. No entanto, li como uma leitora que adora livros de suspense e, sinceramente, não gostei. E acho que essa minha opinião é um pouco isolada, pois li vários comentários no Skoob de pessoas que adoraram o livro. 

3. A história inicia com um assassinato cruel em Los Angeles de um milionário morto brutalmente e sua esposa é espancada, estuprada e amarrada ao corpo do marido. Acompanha o caso o detetive Danny McGuire, no entanto, toda a investigação é considerada infrutífera e o caso arquivado. Além disso, a esposa desaparece e doa sua herança para uma instituição que cuida de crianças.

4. Após alguns anos, Danny McGuire passa a trabalhar na Interpol, na França, e é procurado por Matt Daley, que alega ser o filho da vítima do assassinato cruel em Los Angeles. Daley afirma está fazendo um documentário sobre o caso e apresenta outros casos que contém certa semelhança com o primeiro assassinato, reavivando em Danny a perspectiva de acompanhar a série de assassinatos.

5. Bom, o livro é do gênero suspense e eu adoro livros assim. No entanto, logo no início do livro fui ficando meio entediada com a história e me arrastando em seu enredo. Acho que a parte que mais me empolgou foi o julgamento, depois que eles descobrem quem realmente estava por trás de todos os casos, no entanto, até com essa parte achei um pouco "piegas".

6. Li um comentário aqui falando que a Tilly Bagshawe não chega nem aos pés dos casos do próprio Sidney Sheldon. Como disse antes, sobre isso infelizmente não poderei tecer comentários. Mas, o fato é que o livro não me empolgou muito. Até o fato de Matt Daley ter ficado completamente apaixonado por uma das vítimas foi extremamente exagerado, na minha opinião. Ainda sim, desde o início fica na cara quem são os verdadeiros culpados pelo assassinato em série, o que, na minha opinião, é muito ruim para um livro de suspense. Enfim, quem quiser ler, acho que vale a pena cada pessoa tirar suas conclusões.

7. Preciso ler outros livros de Sidney, escritos por ele mesmo.

Boa leitura! ;*

20/07/2015

Fériasssss!!

A blogueira que vos escreve estará temporariamente fora do ar, devido às suas férias!

Mas, daqui a alguns dias nos veremos novamente.

Um grande beijo!

10/07/2015

"O Sol é Para Todos", de Harper Lee

Editora: Jose Olympio
Páginas: 364
Tradução: Beatriz Horta
Veja a sinopse aqui.

"Os advogados, suponho, um dia foram crianças" - Charles Lamb

1. Que livro maravilhoso! Li "O Sol é Para Todos" em uma leitura coletiva proposta pela Mell Ferraz, do canal Literature-se, e foi, sem dúvida, uma das melhores experiências literárias que tive este ano. O livro entrou fácil na lista dos melhores que já li na vida.

2. Vamos começar falando sobre a autora, Harper Lee. Nascida em 1926, no Alabama (sul dos Estados Unidos), um de seus melhores amigos de infância e da vida foi o Truman Capote. "O Sol é Para Todos" é o único livro que ela publicou até então, mas foi mais bem-sucedido que toda a obra de Capote. Isso nos faz refletir: na arte, muitas vezes, a qualidade supera a quantidade.

3. Recentemente, Harper Lee, que vive em uma casa de repouso, anunciou a continuação do livro "O Sol é Para Todos", com a mesma protagonista, agora 20 anos mais velha. Intitulado "Go Set a Watchman", o novo livro estreia em 14 de julho, e a tradução literal seria "Arrume um Vigia". Curiosamente, esse romance foi escrito antes de "O Sol é Para Todos" e finalizado em 1950, mas os editores da época sugeriram que ela reescrevesse a história na perspectiva de Scout quando criança. Devido à publicação desta sequência, a editora José Olympio (grupo Editorial Record) decidiu relançar "O Sol é Para Todos", pois já faziam muitos anos que o livro não estava mais disponível.

4. O título original "To Kill a Mockingbird", tem tradução literal de "Não Mate a Cotovia". Na verdade, mockingbird é um pássaro que não existe no Brasil, sendo nativo dos Estados Unidos (inclusive, o rapper Eminem tem uma música muito linda cujo título é o nome desse pássaro). Este livro é um clássico nos Estados Unidos e leitura obrigatória em muitas escolas, sendo comparado, talvez, à importância de Machado de Assis no Brasil. Além disso, o livro recebeu o Prêmio Pulitzer.

5. Publicado em 1960, a história se passa na década de 1930, em Maycomb, uma pequena cidade no Alabama (abaixo, consta o mapa que encontrei da cidade na história, muito legal!). A segregação racial entre brancos e negros era intensa, especialmente no sul do país, e essa é uma das principais temáticas do livro. Além do racismo, a obra aborda temas como amadurecimento, justiça, coragem e esperança.


6. A história é narrada por Scout (Jean Louise) e se passa quando ela tinha entre 6 e 8 anos. Ela vive com seu irmão mais velho, Jem, seu pai, Atticus, e Calpúrnia, uma mulher negra que trabalha como cozinheira e babá. Atticus é um advogado respeitado e um homem muito ocupado, o que faz de Calpúrnia uma figura essencial na criação dos dois irmãos, algo raro naquela época devido à condição dos negros.

7. O livro é dividido em duas partes. Na primeira, Scout e Jem conhecem Dill (Charles Backer Harris), um menino que passa os verões na casa da tia e se torna grande amigo deles. A aventura das crianças gira em torno da curiosidade por Arthur (Boo) Radley, um vizinho recluso. Esses momentos de travessuras infantis evocaram a nostalgia da infância, algo que, em algum ponto, todo leitor pode se identificar.

8. Na segunda parte, a história toma um tom mais sério com o julgamento de Tom Robinson, um homem negro acusado de estuprar uma jovem branca de família pobre. Atticus é designado para defendê-lo, o que faz com que sua família se torne alvo de preconceitos. Atticus é um modelo de humanidade e coragem, lutando pela justiça mesmo diante de uma sociedade racista.
"O caso de Tom Robinson é algo que concerne ao âmago da consciência humana. Scout, eu não poderia ir à igreja e louvar à Deus se não tentasse ajudar esse homem".
9. Fica claro que Tom é vítima do racismo, assim como Atticus e sua família sofrem as consequências de defenderem um homem negro. Boo Radley também é uma vítima dessa sociedade hipócrita, que o leva a se isolar. Ambos, Tom e Boo, são os "mockingbird" da história, figuras inocentes massacradas pelos preconceitos da sociedade. As metáforas e figuras de linguagem ao longo do livro enriquecem a narrativa, trazendo profundidade às críticas sociais que a obra apresenta.
Comparou a morte de Tom à matança cruel de pássaros canoros pelos caçadores e pelos meninos.
10. Há quem diga que "O Sol é Para Todos" seja uma obra autobiográfica de Harper Lee, já que seu pai seu pai também era advogado e Dill seria inspirado em Truman Capote, seu amigo de infância. A escritora voltou a ganhar destaque no Brasil na última década, com o filme "Capote" (2005) e agora com a expectativa do lançamento de seu novo livro.

11. Em resumo, "O Sol é Para Todos" é uma leitura imprescindível, com personagens que nos ensinam valiosas lições. Atticus e a Scout, em especial, são inesquecíveis! Estou ansiosa pelo novo livro!

Boa leitura! ;*

P.S.: O livro foi adaptado para o cinema em uma versão em preto e branco que ganhou o Oscar. mal posso esperar para assistir!


28/06/2015

"Bridget Jones: Louca pelo Garoto", de Helen Fielding

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 434
Tradução: Ana Ban, Julia Romeu
e Renato Prelorentzou
1. Estava me perguntando, antes de escrever aqui no blog, porque eu demorei TANTO para ler esse livro se já tenho ele há alguns meses na minha estante. Hahaha!

2. Quatorze anos após "Bridget Jones: No Limite da Razão", Helen Fielding nos surpreende com "Bridget Jones: Louca pelo Garoto". Aliás, por que demorou tanto Helen Fielding?

3. Gente, pra mim, Bridget Jones é uma das personagens mais queridas e engraçadas da literatura. Ela tem uma facilidade de se atrapalhar, de fazer confusão com tudo e de falar coisas inapropriadas ao momento que fica até difícil não se identificar com ela. Como sempre, dei várias gargalhadas com a nossa heroína londrina, porém me emocionei demais. Isso porque, além da tradicional comédia, Helen nos apresenta no início do livro um fato muito triste que é o pontapé inicial desse atual enredo. E me desculpe, mas aqui vaí ter spoiler do livro, então, caso você não queira saber, não leia (na verdade, nem sei realmente se ainda é spoiler, porque quase todo mundo já sabe, mesmo quem não leu).

4. Pois bem, logo no início do livro sabemos que Mark Darcy e Bridget Jones se casaram e tiveram dois filhos (Billy e Mabel). No entanto, Mark morre em 2008, quatro anos antes do início da história. Pra quem é fã mesmo da série e torceu pelo casal nos livros anteriores, como eu, isso foi bem triste. E a gente se pergunta "por que raios Helen Fielding matou o Sr. Darcy?". Mas, por outro lado, a razão de ser desse livro vem justamente do fato de que agora Bridget está solteira novamente, ainda arrasada com a morte do marido, com seus 50 anos, mãe de duas crianças lindas e numa situação financeira confortável. 

5. E o que esperar de uma mulher nos seus 50 anos? Eu não gosto muito de definir padrões, mas a gente espera, minimamente, uma mulher mais centrada. No entanto, esse não é o caso da nossa heroína, senão não estaríamos falando de Bridget Jones. Pouca coisa mudou da Bridget de 30 anos, ela continua atrapalhada, lutando contra a balança e contra os sinais da idade em seu corpo, tendo que lidar com as novas tecnologias e redes sociais  (muito hilário a sua "relação" com o Twitter e seu desespero em conseguir novos seguidores: "não consigo entender como colocar uma foto. Tem só um ovo vazio. Tudo bem! Pode ser uma foto minha antes do nascimento"), trabalhando numa adaptação de um roteiro*, revivendo as regras do namoro e tentando ser uma pessoa zen.

6. Por outro lado, percebemos uma Bridget que, apesar de atrapalhada e quase sempre atrasada, tem muita responsabilidade sobre seus filhos e os ama incondicionalmente. As cenas de afeto entre eles me emocionaram muito e a filhinha dela, a Mabel, é muito fofa e engraçada. Já o Billy é o Mark em miniatura.

7. Aqui vemos uma mulher de 50 anos se relacionar com um homem vinte anos mais novo. Achei bem legal esse ponto porque a gente consegue ter uma visão do que ambas as partes visam nesse tipo de relacionamento. E a escritora explora esse ponto de forma até perfeita, na minha concepção, e sem generalizar.

8. Aliás, faço a ressalva de que acho a Helen Fielding uma escritora brilhante. Ela é adepta daquele humor com um fundo de crítica, que me agrada. Dessa forma, mesmo que você nunca tenha lido nada de Bridget Jones, a leitura desse terceiro livro será bem tranquila e acho que você vai gostar muito. Agora, quem já leu os anteriores e gostou, esse é leitura quase obrigatória. 

9. No primeiro e segundo livros é bem marcante a influência que a escritora teve na Jane Austen**, sendo o primeiro um reconto de "Orgulho e Preconceito" é o segundo um reconto de "Persuasão". Nesse terceiro livro não temos tanto essa presença, por mais que a Jane Austen, uma hora ou outra, seja lembrada pela Bridget Jones  (assim como o Dalai Lama!).

10. Antes de escrever aqui, vi várias opiniões de pessoas que leram "Bridget Jones: Louca pelo Garoto" é percebi que muitas não gostaram muito, se comparado aos outros. A mim, e não sei bem o motivo, esse foi de longe o melhor livro da série. Depois me diga o que você achou, pois acho que essa minha opinião é meio isolada... =/ Hahaha! De qualquer forma, todos foram unânimes em reconhecer que esse é um bom livro e que merece ser lido.

11. Pois bem, em relação ao primeiro tópico, na realidade demorei para ler esse livro porque agora eu sorteio os livros que vou ler e esse ainda não tinha tido sorte de ser o escolhido. Ocorre, porém, que depois de ler "Sex and the City" me lembrei muito se Bridget Jones, portanto, resolvi ler logo esse livro. Os dois, de certa forma, abordam temas mais feministas e estou pensando em escrever exatamente sobre o dois e o feminismo... O que vocês acham? 

12. Bom, fica aqui a dica de um excelente livro, que me gerou muitas gargalhadas, mas que também me fez chorar várias vezes.

Boa leitura! ;*

* Bridget está escreve uma adaptação de "Hedda Gabler", uma tragédia de Herik Ibsen, mas que na realidade ela acha que é de Anton Tchekhov. Hahaha! Fiquei muito interessada em ler essa peça, mas só achei os livros em inglês...

** Preciso ler Jane Austen!!! Urgente! Hahaha! 

26/06/2015

"Sex and the City", de Candace Bushnell

Editora: BestBolso
Páginas: 293
Sinopse do livro aqui.

1. Estava em dúvida se escreveria ou não sobre esse livro no blog. Isso porque - e é até esquisito falar isso - não saberia dizer se gostei ou não dele.

2. Nunca assisti à série "Sex and the City", vi apenas o filme. Dessa forma, imaginava o livro um pouco diferente do que ele é, daí a minha dúvida.

3. Candace Bushnell foi modelo e atualmente é jornalista, em Nova York. Por conviver com a alta sociedade e a fama na cidade, Bushnell passou a escrever uma coluna Sex and the City no jornal The New York Observer sobre sexo, que fez tanto sucesso, que virou série no canal de televisão HBO (No Brasil; Multishow).

4. Na série e no filme, temos a perspectiva da história na visão de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), que é uma colunista de um jornal em Nova York, onde relata histórias sobre sexo e relações interpessoais entre o seu meio, que é alta sociedade artística. Além disso, ela conta sempre com suas outras três amigas: Charlotte York (Kristin Daves), Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) e Samantha Jones (Kim Catrall).

5. Mas, no livro essa perspectiva muda um pouco (por isso a minha confusão mental.. Hahaha!). A história é contada pela própria Candace Bushneel e como a mesma relata na Apresentação do livro "Não fazia ideia de como ia me virar para fazer a coluna, mas tinha certeza de que, de alguma forma, falaria de mim e de minhas amigas - um grupo de mulheres solteiras que pareciam, todas, ter passado por uma série infindável de experiências horripilantes com homens (e, às vezes, com os mesmos homens)". Ou seja, percebemos então, que Sex and the City nasceu de histórias reais, mesmo que seus personagens sejam fictícios. Não sei se Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha existem no mundo real, no entanto, elas aparecem no livro também. E sim, o enredo também se passa em Manhattan, Nova York.

6. Na realidade, o livro Sex and the City é uma compilação dos artigos escritos na coluna na escritora. Percebemos isso claramente pela mudança de tema de um capítulo para outro, apesar do mesmo seguir uma linha temporal. Vários temas perpassam pelo livro e todos envolvem sexo, drogas, fama, relacionamentos, filhos, e afins. Alguns me chamaram mais atenção que outros, por exemplo, gostei muito do artigo que fala dos pegadores de modelos, a opinião dos homens sobre o ménage a trois e uma conversa com quatro modelos de até 25 anos. O relacionamento de Carrie e Mr. Big tem um final feliz (para Carrie, claro!) e acompanhar um pouco essa relação entre os dois e o amadurecimento da Carrie foi bem legal, quase uma inspiração para algumas mulheres.

7. Apesar de vários temas, Sex and the City traz uma linha em comum: sobre as mulheres solteiras. As principais personagens são mulheres bem sucedidas em suas carreiras, mas que, no entanto, procuram um relacionamento. "Pela primeira vez ma história de Manhattan, muitas mulheres na faixa de 30 a 40 anos têm tanto dinheiro e poder quanto os homens" (p. 55). Daí nos perguntamos: será por isso que elas estão solteiras? Será que o fato de uma mulher ser bem sucedida na sua carreira assusta tanto os homens? Ou o fato dela ter uma personalidade forte? Acho que são pontos que nos fazem refletir um pouco sobre a ascensão das mulheres no mercado de trabalho e sobre os seus relacionamentos, sendo tal tema um fator comum não só em Nova York, como em todo o mundo. Aliás, o que vocês acharam?

8. De uma forma geral, o livro é bom. No entanto, é totalmente dispensável e nem chega aos pés do filme, que foi o que eu assisti. Imagino que seja da série também. Enfim, sou da opinião que vale mais a pena ver a série ou filme do que ler o livro. É sempre muito complicado esse tipo de comparação, mas acho que no fundo, me decepcionei um pouco com o livro. Esperava mais.

Boa leitura! ;*

25/06/2015

Sobre viver longe

Recomendo a leitura do artigo de Ruth Manus, no Estadão. 

Já vivi isso na minha vida e espero viver daqui a algum tempo. A decisão e o primeiro passo são sempre difíceis. A cama incomoda, a saudade faz com que sintamos um aperto no peito. Além daquele sentimento de culpa que demora para ir embora. 

"O preço é alto. A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado. Keep walking."




23/06/2015

saudade.

Nunca pensei que pudesse o homem sentir tanta saudade.
Dizem que a palavra não existe em nenhum outro idioma
Mas eu conheço o seu significado.

A alma procura a outra
Na velocidade do desatino.
Não há lugar senão para a busca,
Nenhuma satisfação que não seja o encontro.
Nenhum engano possível,
Porque a alma sabe exatamente qual a outra é.
É aquela.

Em tudo maravilha encontrada seria uma
Num eterno abraço.
Porque não cala o trovão na mente?
Porque não seca a lágrima da obsessão?
Porque não cessa essa falta que enfraquece?
Essa dor que apenas cresce,
Porque não fecha o peito ardente.
Demente,
Não vê o abismo presente,
Não ouve o ruído dos passos,
Então cai eternamente.

Não sei se é verdade que de saudade também se morre,
Mas é melhor morrer do que sentir saudade.

(Domingos de Oliveira)

***
Pour mon amour.
Coisa gostosa é sentir saudade de quem se gosta.
Querer estar perto, juntinho, mas sem grude. :)


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