09/04/2015

[Desafio Literário] 100 Livros Essenciais da Literatura Mundial

Olá!

Já falei aqui no blog sobre o desfio literário "100 Livros Essenciais da Literatura Brasileira" que estou participando, agora irei falar um pouco sobre o outro desafio que também participo, que são os "100 Livros Essenciais da Literatura Mundial". Essa lista também é da Revista Bravo e, como disse no post anterior, não tem tempo de duração.

No meu Instagran (@thalitalindoso) e aqui no blog vocês poderão acompanhar o andamento das minhas leituras. Para esse desafio específico, estarei usando as hashtag #100LivrosDaLiteraturaMundial e #DesafiosLiterarios, a fim de sinalizar os livros que estou lendo ou já li.

Eis a relação:

1. Ilíada, de Homero
2. Odisseia, de Homero
3. Hamlet, de William Shakespeare
4. O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes
5. A Divina Comédia, de Dante Alighieri
6. Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust
7. Ulisses, de James Joyce
8. Guerra e Paz, de Leon Tosltói
9. Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski
10. Os Ensaios, de Michel de Montaigne
11. Édipo Rei, de Sófocles
12. Otelo, de William Shakespeare
13. Madame Bovary, de Gustave Flaubert
14. Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe
15. O Processo, de Franz Kafka
16. Doutor Fausto, de Thomas Mann
17. As Flores do Mal, de Charles Baudelaire
18. O Som e a Fúria, de William Faulkner
19. A Terra Desolada, de T. S. Eliot
20. Teogonia, de Hesíodo
21. Metamorfoses, de Ovídio
22. O Vermelho e o Negro, de Stendhal
23. O Grande Gatsby, de Francis Scott Fitzgerald
24. Uma Temporada no Inferno, de Arthur Rimbaud
25. Os Miseráveis, de Victor Hugo
26. O Estrangeiro, de Albert Camus
27. Medeia, de Eurípides
28. Eneida, de Virgílio
29. Noite de Reis, de William Shakespeare
30. Adeus às Armas, de Ernest Hemingway
31. O Coração das Trevas, de Joseph Conrad
32. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley
33. Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf
34. Moby Dick, de Herman Melville
35. Histórias Extraordinárias, de Edgar Allan Poe
36. A Comédia Humana, de Honoré de Balzac
37. Grandes Esperanças, de Charles Dickens
38. O Homem sem Qualidades, de Robert Musil
39. As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift
40. Finnegans Wake, de James Joyce
41. Os Lusíadas, de Luís de Camões
42. Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas
43. Retrato de uma Senhora, de Henry James
44. Decamerão, de Giovanni Boccaccio
45. Esperando Godot, de Samuel Beckett
46. 1984, de George Orwell
47. A Vida de Galileu, de Bertolt Brecht
48. Os Cantos de Maldoror, de Lautréamont
49. A Tarde de um Fauno, de Stéphane Mallarmé
50. Lolita, de Vladimir Nabokov
51. Tartufo, de Molière
52. As Três Irmãs, de Anton Tchekhov
53. O Livro das Mil e Uma Noites
54. O Burlador de Sevilha, de Tirso de Molina
55. Mensagem, de Fernando Pessoa
56. Paraíso Perdido, de John Milton
57. Robinson Crusoé, de Daniel Defoe
58. Os Moedeiros Falsos, de André Gide
59. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
60. O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde
61. Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello
62. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll
63. A Náusea, de Jean-Paul Sartre
64. A Consciência de Zeno, de Italo Svevo
65. Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene Gladstone O’Neill
66. A Condição Humana, de André Malraux
67. Os Cantos, de Ezra Pund
68. Canções da Inocência-Canções da Experiência, de William Blake
69. Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams
70. Ficções, de Jorge Luis Borges
71. O Rinoceronte, de Eugène Ionesco
72. A Morte de Virgílio, de Hermann Broch
73. Folhas de Relva, de Walt Whitman
74. O Deseros dos Tártaros, de Dino Buzzati
75. Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez
76. Viagem ao Fim da Noite, de Louis-Ferdinand Céline
77. A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós
78. O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar
79. As Vinhas da Ira, de John Steinbeck
80. Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar
81. O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger
82. As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain
83. Contos – Hans Christian Andersen
84. O Leopardo, de Tomasi di Lampedusa
85. A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy, de Laurence Sterne
86. Uma Passagem para a Índia, de Edward Morgan Forster
87. Orgulho e Preconceito, de Jane Austen
88. Trópico de Câncer, de Henry Miller
89. Pais e Filhos, de Ivan Turguêniev
90. O Náufrago, de Thomas Bernhard
91. A Epopeia de Gilgamesh
92. O Mahabharata
93. As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino
94. Oh The Road, de Jack Kerouac
95. O Lobo da Estepe, de Herman Hesse
96. O Complexo de Portnoy, de Philip Roth
97. Reparação, de Ian McEwan
98. Desonra, de J. M. Coetzee
99. As Irmãs Makioka, de Junichiro Tanizaki
100. Pedro Páramo, de Juan Rulfo


Legenda:
  • Preto: Não lidos
  • Vermelho: Lidos
  • Verde: Lidos, mas que irei reler
  • Azul: Lendo

01/04/2015

"Desejo à Meia-Noite", de Lisa Kleypa

Sinopse: Após sofrer uma decepção amorosa, Amelia Hathaway perdeu as esperanças de se casar. Desde a morte dos pais, ela se dedica exclusivamente a cuidar dos quatro irmãos – uma tarefa nada fácil, sobretudo porque Leo, o mais velho, anda desperdiçando dinheiro com mulheres, jogos e bebida. Certa noite, quando sai em busca de Leo pelos redutos boêmios de Londres, Amelia conhece Cam Rohan. Meio cigano, meio irlandês, Rohan é um homem difícil de se definir e, embora tenha ficado muito rico, nunca se acostumou com a vida na sociedade londrina. Apesar de não conseguirem esconder a imediata atração que sentem, Rohan e Amelia ficam aliviados com a perspectiva de nunca mais se encontrarem. Mas parece que o destino já traçou outros planos. Quando se muda com a família para a propriedade recém-herdada em Hampshire, Amelia acredita que esse pode ser o início de uma vida melhor para os Hathaways. Mas não faz ideia de quantas dificuldades estão a sua espera. E a maior delas é o reencontro com o sedutor Rohan, que parece determinado a ajudá-la a resolver seus problemas. Agora a independente Amelia se verá dividida entre o orgulho e seus sentimentos. Será que Rohan, um cigano que preza sua liberdade acima de tudo, estará disposto a abrir mão de suas raízes e se curvar à maior instituição de todos os tempos: o casamento?

Avaliação: 4/5

***

Sempre tive muita vontade de me aventurar em romances de época, só que esse desejo só foi sendo adiado, devido a outras leituras. Aliás, foi apenas ano passado que deixei o preconceito de lado e comecei a ler os romances "da moda", aqueles livros que ficam nas vitrines das livrarias. Achava esse tipo de leitura muito piegas. Na realidade, depois de alguns livros, minha opinião não mudou muito, dificilmente esse tipo de livro me surpreende, pois muitos escritores não passam daquelas histórias "mamão com açúcar", mas tive boas surpresas. Por exemplo, a Nora Roberts tornou-se uma das minhas escritoras contemporâneas favoritas depois que li o "Quarteto de Noivas".

Pois bem, como disse antes tinha muita vontade de ler romances de época, então, nesse ano aproveitei a oportunidade do lançamento do último livro da série "Os Hathaways", da escritora americana Lisa Kleypas e comprei todos os e-books da série, passando logo a lê-los.

Antes de discorrer sobre o livro em si, quero já falar uma coisa: a Lisa Kleypas conquistou meu coração com essa série e também se tornou, ao lado de Nora, minha romancista contemporânea predileta. Nem todos os livros são bons, mas o conjunto é excelente e fiquei maravilhada.

A série Os Hathaways é composta de 05 (cinco) livros e cada um relata o romance de um membro da família. A família é formada por cinco irmãos: Leo, o mais velho, Amelia, Winnifred, Poppy e Beatrix, esta última a irmã mais nova. Os pais deles já faleceram e, devido a uma série de acontecimentos drásticos com alguns parentes distantes, Leo acaba recebendo o título de Visconde (Lorde Ramsay) e a família passa a fazer parte da aristocracia inglesa.

Os Hathaways é uma família muito pouco convencional para os padrões da aristocracia inglesa, dessa forma, eles têm muitas dificuldades de se adaptar à nova realidade e acabam sendo considerados "os diferentes" pelos outros aristocratas. Toda a série se passa na Inglaterra, nas cidades de Londres e Hampshire, entre os anos de 1848 e 1855. Ou seja, numa época onde a mulher tinha muito pouco valor, seu papel era apenas casar e ter filhos.

Cada livro será objeto de uma postagem aqui no blog, dessa forma, iremos conversar um pouco sobre o primeiro livro da série "Desejo à Meia-Noite".

Nesse primeiro livro da série, temos como personagem principal Amelia Hathaway, irmã mais velha da família. Amelia tem 26 anos e, para os padrões da época, já passou da idade de se casar. Ainda sim, depois de uma grande decepção amorosa que sofrera com o amigo de seu irmão, Christopher Frost, casar definitivamente não está nos planos dessa inglesa. Após a morte dos pais e, principalmente, após a decaída do seu irmão, Leo Hathaway, Amelia assume o papel de responsável pela família, uma espécie de "mãe", que carrega a família nas costas.

O início da história se passa em Londres, em 1848, quando os irmãos estão se mudando de Primrose Place, vilarejo em Londres, para a Ramsay House, em Hampshire. Um tempo antes, Leo Hathaway havia perdido sua noiva, Laura Dillard, que morrera devido a uma escarlatina. Logo depois, tanto Leo quanto Winnifred contraíram a doença e, graças a um cigano que morava com eles, Kev Merripen, os dois conseguiram sobreviver, porém, os pulmões de Win ficaram muito fracos e Leo acabou levando uma vida boêmia, regada à bebida, drogas e brigas.

Numa dessas noites, em busca de seu irmão, que estava perdido entre as tavernas de Londres, Amelia acaba conhecendo o cigano Cam Rohan e logo ocorre uma forte atração entre os dois. Um tempo depois, quando a família já estava instalada em Ramsay House, Amelia reencontra novamente o cigano Cam e, no meio de tantas tragédias que ocorrem com a família, os dois acabam se aproximando e Cam acaba suprindo, de certa forma, a ausência de Leo, como o "homem" da família.

Achei interessante a interação entre Cam e Amelia nesse primeiro momento, onde a família Hathaway passa por grandes dificuldades, pois, na ausência de Leo, Amelia acaba sendo a responsável pela família, no entanto, ela não aceita a ajuda de terceiros, pois ela tem uma personalidade muito orgulhosa. Ela gosta de ter o controle sobre tudo, de ser autoritária e competente em tudo que faz. No entanto, os acontecimentos fogem do seu controle, e uma ajuda externa acaba sendo mais que necessária no contexto que eles vivem.

Agora quero falar um pouco sobre o cigano Cam Rohan: Ele é descrito no livro como um homem muito atraente, que chama a atenção e atrai o desejo de várias mulheres. No entanto, seu espírito cigano fala um pouco mais alto, e ele não consegue se prender a nenhuma delas. Rohan é metade cigano e metade irlandês. Vivia com sua tribo, sendo cuidado por sua avó, mas depois de uma perseguição dos "gadjos" ele acaba sendo deixado na cidade de Londres por seu primo, onde consegue logo um emprego. Ele é uma espécie de sortudo, que acabou acumulando uma grande fortuna, mesmo contra sua vontade. Na época, os ciganos sofriam muito preconceito dos ingleses e com Rohan não era diferente. No entanto, ele ganhou respeito entre as pessoas que conviviam com ele e qualquer preconceito que sofresse não lhe atingia. Apesar de ser também cigano, a relação de Cam Rohan com Kev Merripen (que já está com a família Hathaway há algum tempo) não é das melhores. 

É nesse cenário que se ambienta o romance entre Amelia Hathaway e Cam Rohan. O enredo da história é bem interessante e as cenas picantes não tornam o romance piegas demais.

Gostei muito desse primeiro livro e desse primeiro contato com a escritora Lisa Kleypas!


Vale a pena a leitura!

Boa leitura! :*

15/03/2015

"As Vinhas da Ira", de John Steinbeck



Sinopse: O livro representa o confronto entre indivíduo e sociedade, através da epopéia da família Joad, expulsa pela seca dos campos de algodão de Oklahoma, para tentar a sobrevivência como bóias-frias nas plantações de frutas do Vale de Salinas, na Califórnia. Steinbeck retratou a situação do homem moderno diante das dificuldades, a pobreza e a privação em um universo feroz, protagonizado por vítimas da competição e párias sociais. O autor exibe na vida e na arte paradoxos, provocados pela tensão entre instinto e mente, natureza e história, a civilização e seus descontentes. 'As vinhas da ira' é a prova de que homens em lugares e situações comuns podem ser tocados pela intenção épica e conduzidos à imortalidade.

Avaliação: 5/5





"As Vinhas da Ira" é um livro grandioso. Não só por ter se tornado um clássico da literatura mundial, mas, sim, e principalmente, porque ele mexe com nossa alma.

John Steinbeck (1902-1968) - assim como Victor Hugo, em seu livro "Os Miseráveis" - voltou seu olhar na década de 30 àquelas famílias que estavam marginalizadas pela sociedade, como consequência de uma grande crise econômica - que também tornou-se social - que assolou os Estados Unidos da América, no final da década de 20 e toda a década de 30.

Como todos(as) nós estudamos nas aulas de história, a Década de 20 nos Estados Unidos foi considerada a época de um grande crescimento econômico nos país. Após a Primeira Guerra Mundial, o país era a  maior potência econômica do mundo, o consumo aumentou absurdamente e os empresários do setor de produção industrial e os fazendeiros investiram muito em seus negócios a fim de acompanhar o ritmo de consumo no país e no mundo. Aqui vamos nos deter principalmente ao setor agropecuário, visto ser o pano de fundo e início de toda saga contida no livro "As Vinhas da Ira".

Pois bem, com o aumento do consumo, os fazendeiros procuraram os bancos para investir alto nas máquinas de produção e acabaram tornando-se arrendatários das terras. Com a Grande Depressão de 1929 e a Europa se recuperando da Primeira Guerra Mundial, o preço dos insumos colhidos no campo despencaram, uma vez que a demanda se tornou muito menor que a oferta. Os fazendeiros, no início da década de 30, tentam se recuperar dessa crise e pagar aos bancos as suas terras e as suas dívidas. Para isso, os agricultores, com o intuito de aumentar mais sua produção, passaram a plantar antes que o solo fosse tratado adequadamente, provocando, então, o ressecamento da terra.

Tempestade de areia no Texas
As tempestades de poeira, conhecida nos EUA como Dust Bowl (tradução literal: Taça de Pó) foram uma consequência direta dessa produção irregular de insumos no campo, que deixou o solo despojado de umidade, sendo facilmente levantado pelo vento em grandes nuvens de pó e areia que, de tão espessas, impediam até a penetração dos raios de sol. Aconteceu no país nos anos 1934, 1936 e 1939 e desabrigaram muitas famílias de suas terras.

Na época, como as plantações foram arrasadas, os bancos (os "donos das terras") expulsaram os arrendatários e colocavam um só homem com um só trator para cuidar de várias fazendas. No fundo, como os bancos também passavam por uma grande crise devido à Grande Depressão, tal negócio foi extremamente lucrativo para eles. Porém, provocou um desastre social, com a migração de cerca de 300 mil pessoas para o oeste.

Esse foi o pano de fundo e inspiração para que John Steinbeck escrevesse "As Vinhas da Ira". O livro foca especialmente na situação dos trabalhadores do campo que vinham sofrendo desde a Grande Depressão de 1929. Despojados de suas terras, milhares de famílias viajam rumo ao oeste do país, principalmente para a Califórnia, iludidas pela promessa de conseguirem emprego, com boas condições de trabalho e bons salários, e finalmente, reconstruírem um lar em que possam morar.
"Em 1936, Steinbeck lançou Batalha Incerta, livro sobre uma guerra provocada pelo Partido Comunista. Durante a pesquisa, ele entrevistou comunistas, trabalhadores e fazendeiros. Depois da publicação, o jornal San Francisco News procurou Steinbeck para fazer sete reportagens sobre os trabalhadores que migravam para a Califórnia. E ali surgiu a inspiração para Vinhas." (Herb Behrens, arquivista do National Steinbeck Center)
Lançado em março de 1939, "As Vinhas da Ira" foi um sucesso de venda na época, mas também um sucesso de críticas negativas, que despertou uma reação raivosa de setores conservadores da sociedade americana. Steinbeck foi considerado o comunista mais perigoso da costa oeste do país e chegou até a ser investigado pelo FBI. O livro também chegou a ser banido de várias bibliotecas americanas e até hoje continua na lista dos mais proibidos em algumas bibliotecas. Por outro lado, o livro rendeu ao escritor o Prêmio Pulitzer (1940) e uma fama que o fez ganhar o Nobel de Literatura em 1962. Ainda sim, ganhou uma versão para o cinema dirigida por John Ford e que faturou dois Oscar.

Família Joad
O livro foca na família Joad, de Sallisaw, Oklahoma, mas poderia ser qualquer outra família. Despojados de sua terra, a família Joad parte para a Califórnia, atraída por vários folhetos que prometiam trabalho na colheita de frutas no Estado. Ao falar desse livro, eu gosto de dividi-lo em duas partes: 1ª) a travessia da família Joad (e de inúmeras outras famílias) de leste a oeste pela Estrada 66, em um carro pequeno e caindo aos pedaços que acomodava toda a família; 2ª) a chegada na Califórnia e todos os desafios que tiveram que enfrentar.

Na Estrada 66, já observamos que existe uma migração em massa para a Califórnia, uma espécie de fuga desesperada para o Oeste. As famílias viajam em precárias condições, com pouco dinheiro e em carros que vivem dando problemas. No entanto, apesar das poucas condições, vemos também a solidariedade entre pessoas que passam pela mesma situação, como se todos os migrantes se tornassem uma só família.

Estrada 66
Na Califórnia, a Família Joad começa a perceber que a realidade não é como imaginaram. Percebem que foram enganados com falsas promessas, assim como outras milhares de famílias. E, então, começa uma luta por sobrevivência e por trabalho intensa. Nessa parte, começamos a ter a dimensão do tamanho do problema social com a migração em massa para o Oeste e a discriminação e repressão sofrida por esses trabalhadores. É revoltante vermos a situação precária dos acampamentos (Hooverville), o preço das horas de trabalho (e aqui vale a premissa: quanto maior a procura, menores os preços), a repressão da polícia, a "disputa" entre os trabalhadores, as frutas apodrecendo enquanto milhares passam fome, a tecnologia no campo, cavalos sendo tratados de uma forma melhor que as pessoas e a chegada das chuvas intensas. No entanto, mesmo nessa situação, observamos também a solidariedade entre as pessoas, as festas como um meio da busca pelo prazer há tanto tempo perdido e a organização do acampamento do Governo.

Outra observação interessante é a seguinte: aqui temos mais uma confirmação de que, quando o povo é organizado, ele consegue amedrontar as autoridades. A repressão contra os trabalhadores era muito grande, mas ela tinha como motivo principal evitar a mudança do "eu" para o "nós", ou seja, a organização dos trabalhadores. E Steinbeck foi muito feliz ao mostrar a organização como alternativa à exploração.

Outro fato curioso que chamou muito a minha atenção do livro: a narrativa sobre o surgimento da Califórnia, de como esse pedaço de terra passou dos mexicanos para os americanos e como as propriedade tornaram-se grandes e a quantidade de fazendeiros diminuiu.

O final desse livro é um dos mais lindos que já vi, dentre tantos livros que já li na vida. Mostra a que ponto somos capazes de ajudar o próximo. Como se já não bastasse toda a saga da família, suas perdas e conquistas, só pelo final já vale a pena ler sobre tanto sofrimento. Sofrimento esse que tratava a realidade e, por isso, incomodou tantas pessoas na época de seu lançamento.

Steinbeck é fiel à linguagem do homem do campo, à sua simplicidade que encanta e é também muito engraçada (a cena da descoberta do vaso sanitário me fez rir muito!) e ao seu modo de viver, de ver as pessoas e o seu olhar sobre a vida. Em sua narrativa, o escritor intercala um capítulo sobre a vida dos Joad e outro com uma narrativa sobre a situação geral, de todos os migrantes, demonstrando, assim, que o que ocorreu não foi um fato isolado, mas sim uma epopeia dos trabalhadores do campo na época.

Nossa, ainda falaria aqui sobre tantas outras coisas que esse livro me encantou, mas quero terminar com uma metáfora que o autor faz no começo do livro sobre a tartaruga. Aqui ele faz uma apologia à luta diária dos trabalhadores e é sublime!

Enfim, indico muito a leitura desse livro! Depois de lê-lo passei a entender do porquê ele ser um clássico da literatura mundial.

Boa leitura! :*

Observação 01: Uma curiosidade. Quem deu o título ao livro "The Grapes of Wrath" (As Vinhas da Ira) foi a primeira mulher de John Steinbeck, Carol, e esse título é parte do hino abolicionista da Guerra Civil americana.

Observação 02: Quer saber mais sobre a Tempestade Negra ou Dust Bowl? Tem aqui um documentário muito interessante. Vale a pena conferir!

14/03/2015

Três livros de Rubem Alves

Olá pessoas queridas! =]

Resolvi falar, numa postagem só, sobre alguns livros do Rubem Alves que li e que me tocaram profundamente. Rubem Alves tem essa facilidade de conversar com a nossa alma, com o nosso ser e todos os três livros que li e que vou relatar logo abaixo mexeram muito comigo, me fizeram pensar e consegui me identificar muito com os seus pensamentos.

Antes quero falar o seguinte: eu tinha um preconceito imenso com o Rubem Alves! Não sei de onde surgiu isso, eu simplesmente criei esse preconceito da minha cabeça e imaginava que seus livros fossem muito ruins. No entanto, felizmente uma amiga me presenteou com o livro "Perguntaram-me Se Acredito Em Deus" e paguei a língua. Felizmente! (obrigada, Mônica!) No entanto, para minha tristeza, só o "conheci" após a sua morte.

Bom, se você é uma pessoa que tem esse "preconceito" que eu tinha sobre o Rubem ou se você nunca leu uma obra dele, deixe tudo o que você está fazendo agora e leia um livro seu, qualquer que seja! Eu juro, você não vai se arrepender...

Se você quiser conhecer Rubem Alves leia os seus livros. Lá estão a mais pura essência de quem foi (e ainda é) Rubem Alves. Você também pode acessar o seu site que descreve também um pouco sobre ele e seus projetos. Mas quero descrever aqui o que eu acho quem é (foi) esse mineiro.

Rubem Alves "é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente" (Fernando Pessoa). Ele foi poeta, escritor, filósofo, educador, cronista, contador de histórias (e das boas), teólogo, acadêmico, psicanalista e, acima de tudo, um amante das coisas boas e simples da vida e dos ipês amarelos. Ele foi e é, porque o seu legado, as suas ideias, ainda moram - vivas - dentro de nós.

Pois bem, ano passado li "Perguntaram-me Se Acredito Em Deus" e recentemente li mais dois livros "A Grande Arte De Ser Feliz" e "Pimentas", todas da Editora Planeta. Sobre esses livros que passo a falar agora.

# Perguntaram-me Se Acredito Em Deus



Sinopse: "Escrever e ler são rituais mágicos. Num primeiro momento, aquele que escreve transforma a sua carne e o seu sangue em palavras. No momento seguinte, aquele que lê transforma as palavras lidas na sua própria carne e no seu próprio sangue. A isso se dá o nome de antropofagia. O escritor se oferece para ser comido. O leitor lerá o texto se o seu gosto for bom. Se o gosto do texto for bom, ele então o comerá até o fim. Escrever e ler, assim, são um ritual eucarístico: comer carne e beber sangue. O sangue do escritor então irá circular no corpo daquele que o leu.
Os rituais antropofágicos não se faziam por razões gastronômicas. O que se desejava era que as virtudes da vítima fossem transferidas para o corpo daquele que comia.
Esses textos são pedações de mim. Li muitos textos sagrados. Comi aqueles que me deram prazer. Os outros, meu sangue rejeitou.
Agora eu os ofereço como partes de mim mesmo. Se eles lhe derem prazer, você ficará parecido comigo. E experimentaremos aquilo que se dá o nome de comunhão..."



Com um convite desse, impresso na orelha do livro, difícil não ter a curiosidade de saborear "Perguntaram-me Se Acredito Em Deus". Esse livro é alimento para nossa espiritualidade. Nele, Rubem expressa sua forma de ver Deus através do velho mestre Benjamin.

Mestre Benjamin é um contador de histórias de uma aldeia/comunidade e todas as noites as crianças e adultos se reúnem em torno dele na sua tenda para escutar suas histórias sobre o texto sagrado. Todas as perguntas eram respondidas através de histórias, por isso as crianças o adoravam.

O que mais me encantou nesse livro foi a visão de Rubem sobre Deus. Longe de ser aquele Deus-carrasco apresentado pela maioria das Igrejas, para o escritor "Deus é a beleza". Esse livro faz a gente pensar e repensar um bucado de coisas sobre a nossa espiritualidade.

Nota: 5/5

# A Grande Arte de Ser Feliz






Sinopse: Em A Grande Arte de Ser Feliz, Rubem Alves nos presenteia com uma seleção de crônicas tocantes sobre a vida. O autor nos propõe que cada pensamento seja como um novo brinquedo, que nos dê alegria, nos divirta e também faça pensar. Muitas das crônicas foram escritas a partir de dúvidas e sugestões de leitores que acompanham seu trabalho e foram enviadas a ele por meio de cartas, e-mails ou telefonemas. Seu estilo único, profundo e metafórico é desenvolvido em três partes: Coisas que dão alegria, Coisas do amor e Coisas da alma, sendo que cada uma delas apresenta de forma encantadora os sentimentos e situações que todos nós já nos deparamos um dia.








O que me chamou atenção inicial nesse livro foi a capa: que mandala linda! A gente pode ficar horas e horas olhando para ela e refletindo um milhão de coisas... Talvez seja esse o propósito dessa mandala na capa, nos fazer refletir enquanto lemos cada crônica do escritor.

Como bem descrito na sinopse, Rubem Alves selecionou aqui algumas crônicas que possuem como pano de fundo o tema "felicidade" do mais diversos pontos de vista e dividiu o livro em três partes: Coisas Que Dão Alegria (08 crônicas), Coisas do Amor (09 crônicas) e Coisas da Alma (09 crônicas).

Aqui, mais importante do que falar sobre as crônicas, é fazer um convite para você, leitor, ler o livro e se deliciar a cada momento. As crônicas que mais gostei foram: Sem Contabilidade, 'Vossos Filhos São Pássaros...', Sobre Deus e Sobre o Inferno.

Nota: 5/5


# Pimentas

Sinopse: Trata-se de uma compilação de crônicas sobre ideias e pessoas, sobre pensamentos que incendeiam a mente e que levam a outras ideias. Daí o título do livro, conforme explica o autor: “Pimentas são frutinhas coloridas que têm poder para provocar incêndios na boca. Pois há ideias que se assemelham às pimentas: elas podem provocar incêndios nos pensamentos. (…) Mas, para se provocar um incêndio, não é preciso fogo. Basta uma única brasa. Um único pensamento-pimenta…”. Dividido em 74 pequenos contos, reflexões que brotaram na mente sempre criativa do autor, o livro encanta por sua proximidade com a vida cotidiana de pessoas comuns. “Pois qual é o dono de cachorro que nunca olhou para os olhos de seu cãozinho e se perguntou: ‘O que será que ele pensa de mim?’”, indaga Rubem em Sobre gatos. E com a sua tônica espirituosa, prossegue: “Alguém disse que preferia os gatos aos cachorros porque não há gatos policiais”. Religião (histórias sobre São Judas, São Jorge e até sobre o diabo), animais domésticos, noções de etiqueta, comida, gramática, literatura, poesia (o autor é um grande admirador de Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Adélia Prato e Manoel de Barros, só para citar quatro grandes poetas), saúde e doença, velhice, sexo, homens e mulheres, ciência, fé e morte. Nada escapa à mente de Rubem Alves, um observador arguto da vida e de seus pequenos momentos, possivelmente insignificantes para um olhar menos atento.


O que aconteceu quando li esse livro: comecei lendo-o, saboreando cada crônica e depois não queria mais parar! Acho que li esse livro em uns dois dias... O que é muito ruim, concordo, mas eu simplesmente não queria mais acabar de ler as crônicas.

Como dito na sinopse, em "Pimentas", Rubem Alves selecionou 74 crônicas que continham reflexões do escritor sobre a vida, sobre a espiritualidade, sobre a morte, etc., e colocou nesse livro que tem como objetivo incendiar a nossa mente.

É um livro divino. Aliás, dos três livros aqui abaixo, se você me pedisse para escolher apenas um deles para ler, provavelmente escolheria "Pimentas". Não que seja melhor que os outros, mas aqui como há mais crônicas, temos uma noção das reflexões do autor sobre os mais variados temas.

Uma crônica que achei interessantíssima foi "Sobre a Função Cultural das Privadas". Nela Rubem fala: "A privada é o lugar onde estamos sós e ninguém tem o direito de nos incomodar. Lugar de refúgio, santuário de solidão. Quando a gente está na privada, não tem de se comportar direito, não tem de prestar atenção ao que os outros estão dizendo. É um lugar de liberdade e honestidade".

Outras crônicas que gostei muito: Dona Clara, Os Ipês Amarelos, Amor de Velhice, Escrevo o Que Não Sou..., Conversa com o Diabo II, "Tudo É Inútil...", A Dor da Morte, Monsieur Verdoux e Ensinando a Tristeza.

E vocês, já leram? O que acharam?

Boa leitura! :*

08/03/2015

"Sejamos Todos Feministas", de Chimamanda Ngozi Adichie

Sinopse: Sejamos todos feministas - O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo."A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente."Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: Você apoia o terrorismo!. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são anti-africanas, que odeiam homens e maquiagem começou a se intitular uma feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens.Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.

Nota: 5/5

***

Semana passada li o livro da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, “Sejamos Todos Feministas”, lançado pela Editora Companhia das Letras e distribuído gratuitamente seu e-book pela Livraria Cultura (pessoal, só procurei no site da Livraria Cultura e logo o encontrei de graça, mas provavelmente, outras livrarias também devem disponibilizar o e-book gratuitamente). Para quem não sabe, a Chimamanda é autora de três outros livros que fazem bastante sucesso, principalmente nos Estados Unidos, onde ela já tem um público seleto, quais sejam: "Meio Sol Amarelo" (2008), "Hibisco Roxo" (2011) e "Americanah" (2014).

Fazia um bom tempo que eu não lia nada sobre o feminismo e suas pautas. Aliás, por mais que faça parte ainda de um grupo de mulheres, tenho militado muito pouco em relação a esse tema. Mas, eu sou da opinião de que, quando se trata de feminismo, a nossa batalha é cotidiana, dentro e fora de casa, em nossas relações pessoais e profissionais, enfim, em tudo.

Logo que eu comecei a estudar mais e me aprofundar no tema do “feminismo”, percebi que nele há várias correntes, que vão desde as radicais às mais moderadas, que, na minha humilde opinião, tem muito mais a ver com a forma do que com o conteúdo. Porque o conteúdo é um só: o mundo é machista e precisamos combater esse machismo. Não queremos que as mulheres dominem os homens, mas que elas dominem o mundo junto com os homens, que tenham uma relação equitativa e saudável. No entanto, por falta de conhecimento, homens e mulheres (sim, infelizmente também as mulheres!) nos estereotipam como “aquelas-que-não-gostam-de-homens-e-se-vestem-como-eles”, ou seja, uma imagem totalmente negativa que tenta, acima de tudo, deslegitimar o movimento. Quando, na realidade, o feminismo nada tem a ver com isso...

Bom, descobri o livro da Chimamanda pelo canal no YouTube daTatiana Feltrin. O livro é bem curtinho (demorei quase uma hora para lê-lo por completo) e ele é, na realidade, uma palestra que a escritora proferiu em dezembro de 2012 no TEXsEuston (conferência anual que tem por foco a África). O tema do seu discurso foi o feminismo, porque esse também é um grande problema que assola e mata no continente africano, assim como em todo o resto do mundo.

Decidi falar sobre o feminismo porque é uma questão que me toca especialmente. Suspeitei que não seria um assunto muito popular, mas pensei que poderia começar um diálogo necessário. (...) No fim, a aclamação da plateia, com todos de pé, me deu esperanças.

Na minha opinião, Chimamanda foi muito feliz no tema e em toda a sua fala. Não foi à toa que ela saiu aplaudida de pé por toda a plateia. Com uma simplicidade ímpar, a escritora conseguiu demonstrar que o feminismo não tem nada a ver com aquele teor negativista que nos estereotipam e que ser feminista é ser uma pessoa feliz com a vida, com as pessoas e consigo mesmo. Aliás, feministas também podem usar batom, salto alto, vestir-se bem e ter bom relacionamento com os homens!

Decidi me tornar uma "feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”.

O que se busca não é a dominação do mundo, mas a divisão de tarefas na sociedade e dentro de casa, é a igualdade no mundo do trabalho e nas relações interpessoais .

Adichie nos mostrou a realidade da Nigéria, de como as mulheres são praticamente invisíveis. Tratou também sobre a opinião de seu amigo, que relatou a ela que não entendia “que as coisas são diferentes e mais difíceis para as mulheres. Talvez fosse verdade no passado, mas não é mais. Hoje as mulheres têm tudo o que querem”. Isso me lembrou duas coisas. A primeira, quando participava de grupos de assessoria jurídica universitária popular e estudávamos Paulo Freire, e percebi que só quem podem entender, sentir e lutar pelo preconceito são aqueles e aquelas que sofrem dele diretamente. Dessa forma, percebi que não podemos ajudar o oprimido(a), mas só, e tão somente, ele(a) mesmo(a) pode se ajudar. A segunda, é que há umas semanas atrás, assistindo ao programa “Direito e Literatura”, apresentado por Lenio Streck, que passa todo domingo, na TV Justiça (aliás, recomendo demais esse programa, maravilhoso!), vi que um dos temas era sobre o patriarcalismo e um dos convidados dizia que "sem a modernização capitalista não teria havido a derrocada do patriarcalismo". Peraí, como assim?? Mas, sua argumentação baseava-se no fato de que, com o capitalismo, as mulheres puderam trabalhar. Claro, era um homem falando. E a gente até entende que ele fale assim, porque não é ele que sofre diretamente com todo o preconceito de ser mulher e com a sociedade patriarcal.

O machismo não é normal e nós, mulheres, não devemos considerar que ele seja assim tratado em nossa sociedade. Homens e mulheres são apenas fisicamente diferentes, mas todos têm igual capacidade. Aliás, após a eleição presidencial de Dilma Rousseff, ficou o jargão de que toda mulher pode ser o que ela quiser, o que é a mais plena verdade.

Então, de uma forma literal, os homens governam o mundo. Isso fazia sentido há mil anos. Os seres humanos viviam num mundo onde a força física era o atributo mais importante para a sobrevivência; quanto mais forte a pessoa, mais chances ela tinha de liderar. E os homens, de uma maneira geral, são fisicamente mais fortes. Hoje, vivemos num mundo completamente diferente. A pessoa mais qualificada para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte. É a mais inteligente, a mais culta, a mais criativa, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos.

Enfim, apesar de simples, como dito anteriormente, adorei o livro da nigeriana Chimamanda. Aliás, para quem nunca leu nenhuma literatura feminista e se interessa pelo tema, eis uma sugestão como pontapé inicial. Cá entre nós, alguns livros “feministas” são tão chatos, que até desanima a nossa leitura... Mas esse aqui, tenho certeza que ninguém irá se arrepender.

Ainda sim, um fato que me chamou atenção foi o título do livro "Sejamos TODOS Feministas". Peraí, foi um erro de tradução ou foi intencional esse título? Daqui, ficamos com a expectativa de que ele tenha sido intencional. ;-)

Por fim, a nossa sociedade e nossa cultura estão em plena transformação. Como disse Chimamanda: “A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura”. Aliás, vivemos sempre em transformação, mas acho que os ventos desse início de século XXI trouxeram uma mudança de paradigma muito importante para a sociedade brasileira, principalmente após a eleição de Lula, em 2002. Sou da opinião que setores, antes marginalizados porque sofriam com a forte intolerância da nossa sociedade, hoje têm mais espaço para se manifestarem e lutarem por seus direitos. A sociedade aos poucos vai deixando sua intolerância de lado, mas, claro, esse processo é lento e gradual. E o mesmo deve acontecer (e tem acontecido!) com os direitos das mulheres.

Um 08 de março de muita luta, muita reflexão e muita transformação para todas nós!

Falar é fácil, eu sei, mas as mulheres só precisam aprender a dizer NÃO a tudo isso.
O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas do gênero.
Beijos e boa leitura!


05/03/2015

[Desafio Literário] 100 Livros Essenciais da Literatura Brasileira

Olá pessoas!

Bom, como disse a vocês na última postagem de 2014 (#Projeto50LivrosEmUmAno), no ano passado participei do desafio proposto pelo @caiovsk no Instragran, de ler 50 livros durante um ano. Foi muito legal o desafio, no entanto, como disse na postagem, achei por bem não participar desse tipo de desafio "quantitativo" novamente, uma vez que agora, quero ler livros mais clássicos, maiores e também quero degustá-los, senti-los, apreciá-los. Não que eu não tenha feito isso no ano passado, porém, agora quero que as minhas leituras sigam a “direção do vento”.

Porém, nesse momento, quero propor a mim novos desafios literários, com um teor um pouco diferente do desafio que participei no ano passado e sem tempo de duração, ou seja, desafios para toda a minha vida. Nesse ano, através da linda Thais Godinho (já falei aqui no blog o quanto eu acompanho essa blogueira e o quanto ela serve de inspiração para mim), descobri a Tatiana Feltrin, que possui um canal no YouTube sobre livros e que eu passei a acompanhar. Pois bem, a Tatiana participa de alguns desafios literários que me interessaram e me animaram a tal ponto de querer participar também.

Na realidade, ao total são dois desafios que me interessaram (100 Livros da Literatura Brasileira e 100 Livros da Literatura Mundial), e todos terão uma postagem exclusiva aqui no blog, porém, como disse antes, não terão tempo de duração. Dois desses desafios me inspirei na Tatiana Feltrin e o outro eu mesma criei para mim, através de uma lista de livros publicada pela Revista Bravo.

Então, vamos ao primeiro!

# 100 Livros da Literatura Brasileira:

A Revista Bravo lançou há alguns anos uma lista com os “100 livros essenciais da literatura brasileira”. Infelizmente não tenho a revista e hoje dificilmente ainda encontramos ela (talvez em alguns sebos ainda possamos comprá-la ou no Mercado Livre), mas consegui a lista pela internet.

Após analisar a lista percebi: Gente, o quão pouco eu leio de literatura nacional! Esse quadro vai mudar em breve, claro. Mas, fiquei espantada o quão damos valor para os de fora e pouco para os nacionais...

No meu Instagran (@thalitalindoso) e aqui no blog vocês poderão acompanhar o andamento das minhas leituras. Também estarei usando as hashtag #100LivrosDaLiteraturaBrasileira e #DesafioLiterario para sinalizar os livros que estou lendo ou os que já li.




Eis a relação:


1. Bagagem (Adélia Prado)
2. O Cortiço (Aluísio Azevedo) - lido, mas irei reler!
3. Lira dos Vinte Anos (Álvares de Azevedo)
4. Noite na Taverna (Álvares de Azevedo)
5. Quarup (Antonio Callado)
6. Brás, Bexiga e Barra Funda (Antonio de Alcântara Machado)
7. Romance d’A Pedra do Reino (Ariano Suassuna)
8. Viva Vaia (Augusto de Campos)
9. Eu (Augusto dos Anjos)
10. Ópera dos Mortos (Autran Dourado)
11. O Uruguai (Basílio da Gama)
12. O Tronco (Bernardo Elis)
13. A Escrava Isaura (Bernardo Guimarães) - lido, mas irei reler!
14. Morangos Mofados (Caio Fernando Abreu)
15. A Rosa do Povo (Carlos Drummond de Andrade)
16. Claro Enigma (Carlos Drummond de Andrade)
17. Os Escravos (Castro Alves)
18. Espumas Flutuantes (Castro Alves)
19. Romanceiro da Inconfidência (Cecília Meireles)
20. Mar Absoluto (Cecília Meireles)
21. A Paixão Segundo G.H. (Clarice Lispector)
22. Laços de Família (Clarice Lispector)
23. Broqueis (Cruz e Souza)
24. O Vampiro de Curitiba (Dalton Trevisan)
25. O Pagador de Promessas (Dias Gomes)
26. Os Ratos (Dyonélio Machado)
27. O Tempo e o Vento (Érico Veríssimo)
28. Os Sertões (Euclides da Cunha)
29. O que é Isso, Companheiro? (Fernando Gabeira)
30. O Encontro Marcado (Fernando Sabino)
31. Poema Sujo (Ferreira Gullar)
32. I-Juca Pirama (Gonçalves Dias)
33. Canaã (Graça Aranha)
34. Vidas Secas (Graciliano Ramos)
35. São Bernardo (Graciliano Ramos)
36. Obra Poética (Gregório de Matos)
37. O Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)
38. Sagarana (Guimarães Rosa)
39. Galáxias (Haroldo de Campos)
40. A Obscena Senhora D (Hilda Hist)
41. Zero (Ignácio de Louola Brandão)
42. Malagueta, Perus e Bacanaço (João Antônio)
43. Morte e Vida Severina (João Cabral de Melo Neto)
44. A Alma Encantadora das Ruas (João do Rio)
45. Harmada (João Gilberto)
46. Contos Gauchescos (João Simões Lopes Neto)
47. Viva o Povo Brasileiro (João Ubaldo Ribeiro)
48. A Moreninha (Joaquim Manuel de Macedo)
49. Gabriela, Cravo e Canela (Jorge Amado)
50. Terras do Sem Fim (Jorge Amado)
51. Invenção de Orfeu (Jorge de Lima)
52. O Coronel e o Lobisomem (José Cândido de Carvalho)
53. O Guarani (José de Alencar) - lido, mas irei reler!
54. Lucíola (José de Alencar) - lido, mas irei reler!
55. Os Cavalinhos de Platiplanto (J. J. Veiga)
56. Fogo Morto (José Lins do Rego)
57. Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto) - lido, mas irei reler!
58. Crônica da Casa Assassinada (Lúcio Cardoso)
59. O Analista de Bagé (Luis Fernando Veríssimo)
60. Tremor de Terra (Luiz Vilela)
61. As Meninas (Lygia Fagundes Telles)
62. Seminário dos Ratos (Lygia Fagundes Telles)
63. Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis) - lido, mas irei reler!
64. Dom Casmurro (Machado de Assis) - lido, mas irei reler!
65. Memórias de um Sargento de Milícias (Manuel Antônio de Almeida) - lido, mas irei reler!
66. Libertinagem (Manuel Bandeira)
67. Estrela da Manhã (Manuel Bandeira)
68. Galvez, Imperador do Acre (Márcio Souza)
69. Macunaíma (Mário de Andrade)
70. Paulicéia Desvairada (Mário de Andrade)
71. O Homem e Sua Hora (Mário Faustino)
72. Nova Antologia Poética (Mário Quintana)
73. A Estrela Sobe (Marques Rebelo)
74. Juca Mulato (Menotti Del Picchia)
75. O Sítio do Pica-pau Amarelo (Monteiro Lobato)
76. As Metamorfoses (Murilo Mendes)
77. O Ex-mágico (Murilo Rubião)
78. Vestido de Noiva (Nelson Rodrigues)
79. A Vida Como Ela É (Nelson Rodrigues)
80. Poesias (Olavo Bilac)
81. Avalovara (Osman Lins)
82. Serafim Ponte Grande (Oswald de Andrade)
83. Memórias Sentimentais de João Miramar (Oswald de Andrade)
84. O Braço Direito (Otto Lara Resende)
85. Sermões (Padre Antônio Vieira)
86. Catatau (Paulo Leminski)
87. Baú de Ossos (Pedro Nava)
88. Navalha de Carne (Plínio Marcos)
89. O Quinze (Rachel de Queiroz)
90. Lavoura Arcaica (Raduan Nassar)
91. Um Copo de Cólera (Raduan Nassar)
92. O Ateneu (Raul Pompéia)
93. 200 Crônicas Escolhidas (Rubem Braga)
94. A Coleira do Cão (Rubem Fonseca)
95. A Senhorita Simpson (Sérgio Sant’Anna)
96. Febeapá (Stanislaw Ponte Preta)
97. Marília de Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga)
98. Cartas Chilenas (Tomás Antônio Gonzaga)
99. Nova Antologia Poética (Vinícius de Moraes)
100. Inocência (Visconde de Taunay)

Como vocês podem ver, li muito poucos livros e todos no período do ensino médio, motivo pelo qual irei lê-los novamente.

E vocês, topam o desafio também?

Beijos e boa leitura!

26/02/2015

"O Segredo do Meu Marido", de Liane Moriarty


Sinopse: Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta que deve ser aberta apenas quando ele morrer. Imagine também que essa carta revela seu pior e mais profundo segredo — algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você encontra essa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo... Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar da pequena comunidade em que vive, uma esposa e mãe dedicada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia — ou uma à outra —, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela.

Editora: Intrínseca. 

Nota: 4/5




"Errar é humano, perdoar é divino" (Alexander Pope).


"O Segredo do Meu Marido" é um livro do gênero romance adulto contemporâneo ou "new adult" escrito pela australiana Liane Moriarty. Eu não conhecia a Liane e nunca tinha ouvido falar em nenhum livro dela, então, de fato, o livro foi uma surpresa para mim. Comprei o ebook por pura curiosidade, na época ele estava entre os mais vendidos nos Estados Unidos e aqui já estava fazendo um certo sucesso, mas demorei para lê-lo. Aliás, tinha esquecido completamente desse livro na minha biblioteca do Kobo (rsrsrsrs), porém, revendo meus ebooks e atualizando a minha biblioteca eu redescobri esse tesouro e resolvi lê-lo logo.

Pois bem. Apesar de ter dado uma nota 4, gostei muito do livro da australiana. O enredo se passa na Austrália e conta a história de três mulheres diferentes, Cecília, Rachel e Tess. Cecília é o estilo "mulher perfeita". Ela tem uma linda família, uma linda casa muito bem organizada e é uma das melhores vendedoras de Tupperware. Rachel é uma senhora idosa que tem um neto lindo e cuja filha morreu uns trinta anos atrás, no entanto, sua morte ainda permanece um mistério e ninguém sabe quem cometeu tal crime. Já Tess é sócia da agência de publicidade TWF, junto com seu marido, Will, e sua prima e melhor amiga, Felicity.

O livro se inicia com Cecília descobrindo, por acaso, a carta que seu marido John-Paul escreveu para que fosse aberta após a sua morte. Mas, detalhe, John-Paul está vivo. Essa carta contém o segredo que embala toda a história do livro e a curiosidade é tanta, que Cecília acaba lendo e ficando abalada com aquela "revelação".

Após, Tess é surpreendida com a notícia de que seu marido, Will, e sua melhor amiga e prima, Felicity, estão apaixonados um pelo outro. Para ela, seu casamento é perfeito e a sensação que temos é que o mundo desaba aos pés de Tess com aquela notícia e ela decide se mudar para Sidney junto com seu filho, para viverem juntos com a sua mãe.

E Rachel descobre que seu filho, Rob, e sua nora, Lauren, vão se mudar para Nova York, onde ficarão por dois anos, e, como consequência, irão levar o seu neto, o pequeno e adorável, Jacob. Rachel é louca por seu neto e fica muito abalada com essa notícia. Após a morte da filha, Janie, que ocorreu em 1984, Rachel se manteve distante do filho, como se tivesse perdido a capacidade de amar, capacidade esta que apenas reapareceu quando seu neto nasceu. Aliás, Rachel me pareceu ainda muito obcecada pela sua filha já morta, imaginando como seria sua vida se ainda estivesse viva. Apesar de nunca terem descoberto quem matou sua filha, Rachel tem uma suspeita.

O livro se inicia com esses três fatos relacionado à vida dessas três mulheres e logo a vida delas irá se entrelaçar, em torno desse segredo.

"O Segredo do Meu Marido" é um livro interessantíssimo. Na minha opinião, ele mostra que todas as pessoas tem segredos e que isso pode ser saudável ou não, mas nunca iremos saber o que ocorreria se o contrário ocorresse. Ainda sim, no final temos algumas demonstrações de "perdão" em prol de bens maiores. Sou da opinião também que a personagem Tess é muito importante, mas que ela fica meio deslocada na história em relação ao "segredo" e a relação entre Cecília e Rachel.

"Nenhum de nós conhece todos os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E provavelmente é melhor assim. Alguns segredos devem ficar guardados para sempre. Pergunte a Pandora."

Boa leitura! ;*

P.S.: Após o lançamento de "O Segredo do Meu Marido", Liane Moriarty lançou outro livro muito interessante intitulado "Pequenas Grandes Mentiras", pela Editora Intrínseca. Ele parece ser no mesmo estilo do livro que acabamos de resenhar e já está na lista de livros que quero ler! Abaixo, a sinopse:


"Madeline é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex e a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando também sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeline e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de quanto isso afetará a vida de todos."

01/02/2015

Os 05 melhores livros lidos em 2014

Olá! :)

Já tinha um tempo que queria escrever sobre os cinco melhores livros que li em 2014, no entanto, como a escolha foi muito muito difícil, fiquei em dúvida se faria essa postagem ou não... No ano passado, devido à meta de ler 50 livros em um ano, eu li uma variedade de gêneros literários, desde livros budistas até romances eróticos... Por isso, essa escolha foi muito difícil. O que eu fiz aqui foi apenas escolher o melhor que li de cada gênero, mesmo assim, ainda ficaram alguns de fora... Tudo bem, lá vai a minha lista:

1) Em Chamas, segundo livro da Trilogia "Jogos Vorazes", da escritora Suzanne Collins:

Toda a trilogia é MARAVILHOSA, mas, para mim, o melhor livro dos três foi o segundo. Aliás, diga-se ainda que essa foi a melhor trilogia que li em 2014.

Para início de conversa, a história me lembrou muito o famoso livro de George Orwell "1984", só que com uma pitada mais jovem e com mais aventura. Todo o enredo se passa em Panem, uma espécie de país que fica onde hoje é os Estados Unidos e que vive sob uma forte de ditadura. O país é dividido em 12 Distritos e cada um possui uma função. No passado, houve uma guerra entre os Distritos e a Capital, onde o 13º Distrito foi destruído. Como meio de demonstrar sua "bondade", todo ano a Capital realiza os Jogos Vorazes, onde um casal de cada Distrito é escolhido e vão para uma arena onde precisam sobreviver e matar uns aos outros até que um(a) saia o(a) vencedor(a). No meio disso tudo, Katniss Everdeen e Peeta Melark são escolhidos no 74º Jogos Vorazes e daí começa a trama.

O segundo livro foi mais interessante para mim, porque foi a partir dele que começamos a desvendar toda a história. Percebemos o ódio que a Capital tem de Katniss Everdeen, que existe toda uma rede contrarrevolucionária que quer destruir o poder da Capital e, ainda, que o 13º Distrito ainda existe.

O terceiro livro também é muito bom, mas me decepcionei tanto com a escolha da Katniss em relação ao trio amoroso, que isso pesou muito na escolha aqui. Hahahaha!

Fiz a resenha dos três livros e estarei indicando o link logo abaixo:

- Jogos Vorazes
- Em Chamas
- A Esperança

2) "Fim", de Fernanda Torres:

Admiro muito a Fernanda Torres como atriz. Ela já fez trabalhos muito bons, principalmente no cinema, e na minha opinião, é uma das melhores atrizes brasileiras. Claro, com uma genética tão favorável, difícil seria não ser...

Pois bem, ano passado Fernanda Torres também divulgou para o mundo seu dom como escritora. Na realidade, já havia algum tempo que ela escrevia crônicas para alguns jornais, mais sou da opinião de que escrever um livro, com uma história, enredo, começo, meio e fim dá um pouco mais de trabalho e requer um pouco mais de boa criatividade.

Comprei e li por curiosidade e por achar que me surpreenderia positivamente. Não ocorreu o contrário. "Fim" é uma delícia! Aliás, João Moreira Salles resumiu muito bem: "O título é Fim, mas o livro trata mesmo é da vida - plena, forte, caliente e safada, dessas que caberiam numa comédia de Mario Monicelli, caso ele tivesse lido Nelson Rodrigues e Pornopopéia com o sol de Copacabana pelas fuças".

Infelizmente, não cheguei a fazer a resenha desse livro. Mas Fernanda conta a história de cinco amigos (Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto e Ciro) que se conheceram na praia e atravessaram toda uma geração compartilhando a vadiagem, os deslumbres dos anos 1960, as festas movidas a álcool, sexo e pó. No entanto, não é só de festa e vida boa que o livro retrata, mas também de melancolia e resignação. As histórias se intercalam uma na outra, é uma delícia ler cada uma, ver as suas várias versões, entender o modo de agir e o pensamento de cada personagem.

Um livro que faz jus a quem o escreveu!

3) "A Cidade do Sol", de Khaled Hosseini:

Depois do livro "Caçador de Pipas", Khaled Hosseini se tornou um dos meus escritores predileto. Já haviam me falado muito bem de "A Cidade do Sol", porém, como sei que Hosseini retrata a realidade do Oriente Médio de uma forma realista, expondo todas as mazelas sociais, as guerras e seus preconceitos (pelo menos da nossa visão ocidental), queria estar preparada para ler esse livro, com um bom estado de espírito.

Olhe, se você tiver que ler um desses cinco livros que estou indicando, leia este. É ele sublime em todos os aspectos.

"Cidade do Sol" conta a história de duas mulheres afegãs (Mariam e Laila). O destino acaba fazendo com que essas duas mulheres se encontrem e enfrentem juntas a intolerância, o preconceito, o ódio, as guerras... É um livro triste, que retrata uma época do Afeganistão dominada pelo ódio e pela intolerância. Mas também é um livro feliz, porque fala do amor, da amizade, da superação de obstáculos.

Infelizmente (infelizmente mesmo!), ainda não fiz a resenha desse livro. Mas ele é único, como todo livro do Khaled.

Leitura obrigatória!

4) "Bhagavat Gita", de Krishna:


O Bhagavat Gita é meu livro de cabeceira. É aquele tipo de livro que nos aponta um caminho espiritual e que devemos ler, reler e por aí vai.

O Bhagavat Gita relata o episódio mais célebre do Mahabharata e é o texto mais venerado pela religião hindu. Na realidade, ele relata o diálogo entre Arjuna e Krishna, onde este tenta convencer aquele à reconquistar o seu trono e reino, mesmo que para isso, tenha que matar os usurpadores.

Esse livro entrou na minha vida no momento certo e tem me ajudado muito a refletir sobre minhas ações para comigo e com os outros e sobre a minha vida.





5) "Mar de Rosas", de Nora Roberts:

Ano passado, li o primeiro livro da Nora Roberts. E pensei "O que eu estava fazendo na minha vida que ainda não tinha lido um livro dessa mulher?".

Eu não sou muito fã desses romances. Quer dizer, até sou, mas sou do clube dos clássicos e confesso que tinha um preconceito com os romances de banca de jornal. Atualmente, esse é um gênero que tem ganhado muito espaço nas editoras e livrarias, mas acho que uns cinco/seis anos atrás o "mercado" era um pouco menor... Enfim, depois a gente percebe o quanto esses preconceitos são bobos e o quanto perdemos com isso.

Eu comprei muito por acaso o primeiro ebook do Quarteto de Noivas, da Nora Roberts e adorei!!! Então, depois fui lenda a sequência e me encantei cada vez mais pelas quatro amigas Mac, Emma, Laurel e Parker e a Votos, uma empresa especializada em organizar casamentos.

O livro que mais gostei foi o segundo, "Mar de Rosas", que conta o romance da Emma com Jack. Fiz uma resenha do livro aqui. Ele é o livro "conto de fadas" da série. Emma é a florista da Votos e a mais sonhadora, ao mesmo tempo que tem todos os homens a seus pés.

Os quatro livros são (na ordem): Álbum de Casamento, Mar de Rosas, Bem Casados e Felizes para Sempre.


Bom, esses foram os cinco livros que mais gostei de ler em 2014. 

E os seus, quais foram?
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...