15/06/2014

"A Esperança", de Suzanne Collins

Eu demorei um pouco para escrever essa resenha porque eu queria avaliar um pouco os meus sentimentos sobre esse livro e escrever algo decente.

A bem da verdade, eu criei muita (mas muita mesmo!) expectativa sobre esse livro. Como o segundo livro da trilogia de Jogos Vorazes, "Em Chamas", me impressionou muito, imaginei que esse livro seria "o-melhor-de-todos-os-tempos". E deve ser devido a tanta carga de expectativa que eu me decepcionei tanto.


No entanto, o livro não é ruim. Ao contrário, o livro é bom. Mas, ele só não atendeu à minha expectativa de ser o-melhor-de-todos-os-tempos. :-)

"A Esperança" é o terceiro e último livro da trilogia de Jogos Vorazes, escrito por Suzanne Collins.
Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução. A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo. O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?
Terminamos no segundo livro com Katniss Everdeen destruindo a arena dos Jogos Vorazes e, como retaliação, a destruição do Distrito 12 pela Capital. Neste terceiro livro, os sobrevivente do Distrito 12, mais alguns rebeldes de outros Distritos e os tributos que conseguiram ser capturados da Arena, junto com Katniss Everdeen, encontram abrigo no Distrito 13, que poucos acreditavam que existiam. Daí, surge a verdadeira história da última rebelião que supostamente havia destruído o Distrito 13 e como os habitante deste Distrito conseguiram sobreviver aos últimos 75 anos.

"A Esperança" retrata, basicamente, a rebelião dos rebeldes contra a Capital, o avanço da rebelião sobre os Distritos até chegar à Capital e o papel que a nossa protagonista Katniss Everdeen desempenha na rebelião. A história, como as anteriores, é narrada por Katniss o que significa que vemos o desenrolar da história sob o seu olhar. Também vemos um desfecho do triângulo amoroso entre Katniss, Peeta e Gale, mas, na minha opinião, assim como todos os outros livros, essa não é a abordagem principal da escritora. No entanto, Katniss fez uma escolha entre os dois, escolha essa que demonstra o quanto ela mudou. Claro que, com tantos acontecimentos desde que sua irmã foi escolhida para a 74ª edição dos Jogos Vorazes, muitas coisas ocorreram. Mas achei essa mudança fez com que ela perdesse a essência do que ela era no início da história.

O livro possui uma passagem de tempo muito longa. Consegui entender um dos motivos de fazerem dois filmes sobre este último livro, pois um filme só não daria conta do recado. Além disso, tem horas que achei o livro meio maçante, principalmente os três últimos capítulos... Detalhes demais, que deixam a gente numa pilha de nervos, pois queremos logo saber o que ocorrerá depois, mas os detalhes são tantos que a história fica muito pesada e não muito interessante para o leitor.

Fiquei curiosa sobre a relação do Presidente Snow com as rosas e o sangue, mas isso não aparece no livro. Além disso, novos personagens aparecem, como a Presidenta do Distrito 13, Coin, e Boggs, um dos comandantes do Distrito 13.

ISBN: 978-85-7980-086-3 Editora: Rocco Páginas: 421 Nota: 4/5

Enfim, achei a história fraca se comparada às outras duas. Não obstante, a trilogia de Jogos Vorazes é uma das melhores que já li, não só porque todo o enredo é eletrizante, mas porque o livro é carregado de símbolos e metáforas que podem ser analisados sob a ótica do nosso mundo atual.


Outras resenhas da trilogia você encontra logo abaixo:


E vocês, já leram? O que acharam?

03/06/2014

"Em Chamas", de Suzanne Collins

A sensação que tenho é que cada livro dessa trilogia é melhor do que o outro.

Depois de ganharem a 74ª Edição dos Jogos Vorazes e de terem feito a Capital de boba, minando seu controle sobre os Jogos, Katniss Everdeen e Peeta Melark encontram-se em apuros nesse segundo livro da trilogia de Jogos Vorazes.


Sinopse:
Depois de ganhar os Jogos Vorazes, competição entre jovens transmitida ao vivo para todos os distritos de Panem, Katniss agora terá que enfrentar a represália da Capital e decidir que caminho tomar quando descobre que suas atitudes nos jogos incitaram rebeliões em alguns distritos. Os jogos completam 75 anos, momento de se realizar o terceiro Massacre Quaternário, uma edição da luta na arena com regras ainda mais duras que acontece a cada 25 anos. Katniss e Peeta, então, se veem diante de situação totalmente inesperada e, dessa vez, além de lutar por suas próprias vidas, terão que proteger seus amigos e familiares e, talvez, todo o povo de Panem.Ambientado num futuro sombrio, a série é pioneira de uma tendência que vem ganhando força no mercado de bestsellers juvenis: a dos romances distópicos e pós-apocalípticos. As obras renderam à autora Suzanne Collins lugar na badalada lista de 100 personalidades mais influentes do ano da revista Time. Com narrativa ágil e ousada, os livros da trilogia foram traduzidos para 42 países e vêm atraindo leitores de diversas faixas etárias.Inspirada pelo mito grego de Teseu e o Minotauro e bebendo nas melhores fontes da ficção científica, Suzanne Collins faz uma dura crítica à sociedade atual – ao sensacionalismo, ao desperdício e à violência – e prende a atenção do leitor da primeira à última página com um romance envolvente e perturbador.

É bem difícil escrever uma resenha sem ser spoiler, mas vou me esforçar ao máximo para não tirar a delícia que é descobrir e se maravilhar com o enredo dessa história.

Eu tinha ficado muito curiosa com o final do primeiro livro. Afinal, como percebemos, Katniss, ao tentar salvar sua vida e de seu amigo Peeta, acabou criando esperança e fazendo com que muitos Distritos se rebelassem e, ao mesmo tempo, trouxe para si a fúria do Presidente Snow.

O certo é que aqui a fragilidade do sistema ditatorial de Panem fica mais evidente e a manutenção do poder através do medo não é suficiente para acalmar uma população que sofre de fome com o poderio da Capital. Na Turnê dos Vitoriosos, Katniss percebe que, ao invés de tentar acalmar os ânimos da população, ela está gerando mais revoltas, aumentando as chamas da revolução. E, em meio a tanta revolta, o Presidente Snow anuncia que a 75ª edição dos Jogos Vorazes e o 3º Massacre Quaternário terão como participantes os vitoriosos ainda vivos das outras edições dos Jogos Vorazes. "No aniversário de setenta e cinco anos, para que os rebeldes não se esqueçam de que até mesmo o mais forte dentre eles não pode superar o poder da Capital, o tributo masculino e o tributo feminino serão coletados a partir do rol dos vitoriosos vivos" (p. 187). No entanto, essa decisão acabou sendo um tiro no pé da própria Capital.

Como já disse na resenha do primeiro livro, Jogos Vorazes é mais do que um livro de ficção. Ele descreve uma realidade que está presente em nosso dia a dia, por mais que não vivamos mais em um sistema ditatorial. Ele é também um livro filosófico e político e, por isso, faz com que nos sintamos tão envolvidos pelo seu enredo.

Aqui vimos uma Katniss protetora, assim como no primeiro livro. Aliás, não poderíamos esperar uma atitude diferente dela, pois depois da morte de seu pai, ela se tornou praticamente a chefe da família. E é esse sentimento de proteção, de responsabilidade e de cuidado com sua família e com os que ela convive e ama é que faz com que ela consiga superar todos os obstáculos que ela encontra pela frente.

Achei curiosíssima a abordagem quase romântica do livro. Porque, em tese, presenciamos um triângulo amaroso entre Katniss, Peeta e Gale. Mas, Katniss é capaz de deixar os seus sentimentos em segundo plano para poder salvar aqueles(as) que mais ama. Ainda sim, ela não sabe exatamente o que sente por Peeta e Gale, o que faz com que a história se torne bem interessante. Dessa forma, por mais que a relação dela com Peeta seja uma "farsa" para tentar enganar o público de que os dois são completamente apaixonados um pelo outro, percebemos em certos momentos que ela nutre um sentimento muito especial por ele. De outro lado, ela também sente algo muito especial por Gale, mas ela não deixa esse sentimento florescer entre os dois e, principalmente, dentro dela, pois ela sente que possui uma responsabilidade de proteger sua família e o próprio Gale.

Nesse segundo livro, senti um amadurecimento do personagem Haymitch. Claro, ele continua bebendo. Mas, me parece que aqui ele adquire um pouco mais o senso de responsabilidade com o ambiente que o cerca e podemos conhecer um pouco mais de seu passado, principalmente como ele se tornou o vitorioso da 50ª edição dos Jogos Vorazes. Effie, apesar de trabalhar para a Capital, também se mostra uma personagem sensível e que tem um sentimento grande e profundo por Katniss e Peeta.

ISBN: 978-85-7980-064-1 Editora: Rocco Páginas: 415 Nota: 5/5
O tordo se tornou o símbolo da rebelião e, caso assim permita, Katniss também poderá ser. Mas, será que ela quer? Será que ela estará preparada? Essas são respostas que só teremos com a leitura do terceiro livro da série.

# Filme

Não me aguentei de curiosidade e vi o filme durante a leitura do livro.

O segundo filme é muito melhor que o primeiro, mais elaborado. Creio que o livro ajudou muito nesse aspecto, porque também achei o segundo enredo melhor que o primeiro. Com o filme, também consegui visualizar muitas passagens do filme e também esclarecer alguns pontos do próprio livro.

Além disso, não tive aquela sensação ao filme de que faltou algo a mais, como senti no primeiro filme. O filme mostra as principais passagens do livro e isso é essencial para que o filme passe uma mensagem fidedigna do livro.

Jennifer Lawrence fez uma ótima atuação. Tornei-me fã dela!

01/06/2014

Desapegar é evoluir...


Desapegar.
Soltar. Entregar. Deixar ir.
Viver no presente sem o peso do passado e sem expectativas para o futuro.
Sem posses. Sem medo. Sem culpas

18/05/2014

"Peça-me o que quiser", de Megan Maxwell

"Peça-me o que quiser" é o primeiro livro de uma trilogia erótica escrita pela espanhola Megan Maxwell. Os outros livros da trilogia são "Peça-me o quiser agora e sempre" e "Peça-me o que quiser ou deixe-me". 


A história de passa na Espanha e descreve o romance entre a personagem Judith Flores e Eric Zimmerman e, por ser um livro erótico, além de abordar sexo, a escritora acrescenta cenas de voyeurismo e swing. Dessa forma, se você não gosta de voyeur e swing, esse não é um livro indicado para você.

Eric Zimmerman é um alemão que, após o falecimento de seu pai, teve que cuidar da empresa da família. A escritora apresenta Eric com aquela imagem clichê que temos dos alemães: um homem frio e charmoso, sendo chamado por seus funcionários como "Iceman". Já Judith Flores é secretária e trabalha na empresa de Eric. Como espanhola, é uma pessoa de sangue quente, mas que também tem um espírito brincalhão. Os dois acabam se encontrando na Empresa e Eric começa a seduzir Judith, levando-a para o seu mundo de  "joguinhos" e luxúria.

Sinopse:
Com tempero latino e uma abordagem excitante, a autora conta a história da secretária espanhola Judith Flores e seu chefe, o alemão Eric Zimmerman, também conhecido como Iceman: um homem muito sério e com os olhos azuis mais intensos e sexies que ela já viu. Recém-chegado ao comando da empresa Müller, antes dirigida por seu pai, Eric tem uma atração instantânea pelo jeito divertido de Judith e exigirá que ela o acompanhe nas viagens de trabalho pela Espanha. Mesmo sabendo que está se metendo numa situação arriscada, a ideia de estar ao lado de Iceman é irresistível. Com ele, a jovem viverá experiências sexuais até então inimagináveis, em um universo de fantasias eróticas pouco convencionais. Conciliando sexo e romantismo na medida exata, Peça-me o que quiser é uma história de amor cheia de encontros e desencontros, na qual os jogos eróticos, o voyeurismo e o desejo de ultrapassar todos os limites do prazer são os grandes protagonistas.
A impressão que tive é de uma história muito clichê. Se não fosse as cenas "calientes", diria que o livro é um pouco mais do mesmo. No entanto, quando a relação de Eric e Judith deixa de ser apenas sexo e entre os dois começa a nascer um amor, o enredo passou a me interessar mais. Eric e Judith são pessoas totalmente opostas e a evolução dos dois é muito interessante.

O enredo é bem latino e a descrição das cenas são bem excitantes. Gostei da abordagem das personagens secundárias, como a Betta, Björn, o pai de Jud e o casal de amigos de Eric.

ISBN (livro eletrônico): 978-85-8105-202-1 Editora: Objetiva Nota: 3/5

A história é contada em primeira pessoa por Judith e a escritora tem uma escrita simples e direta, às vezes direta até demais. A evolução das personagens é muito bem elaborada, a forma como os personagens secundários se encaixam no enredo também e estou ansiosa pela continuação do livro.

11/05/2014

"Jogos Vorazes", de Suzanne Collins

Jogos Vorazes (The Hunger Games) é um livro de tirar o fôlego.

Creio que só com essa descrição dá para entender que esse não é um livro qualquer. Ação, romance, crítica social e lágrimas... encontramos tudo isso nesse livro de Suzanne Collins.


O enredo se passa em Panem, um país localizado onde hoje é a América do Norte. Panem é formada por 12 Distritos e pela Capital e vive sob uma forte ditadura, comandada pelo Presidente Snow. No passado, um levante de 13 Distritos quase acaba com a Capital e o seu poder. No entanto, por estar cercada de montanhas e devido ao seu poderio econômico, a Capital acabou saindo vitoriosa e, como consequência, destruiu o 13º Distrito e criou os Jogos Vorazes, uma espécie de carnificina que ocorre anualmente para mostrar o quão poderosa é a Capital e o que pode ocorrer caso algum Distrito ouse desrespeitar o seu poder.

No entanto, a Capital mostra ao povo que os Jogos Vorazes são uma demonstração de sua bondade para com os outros Distritos e faz disso uma espécie de reality show que visa divertir o povo (da Capital). Dessa forma, um jovem e uma jovem de cada Distrito (chamado de Tributos), entre 12 a 18 anos, são sorteados ou podem se indicar para participar de cada edição dos Jogos, totalizando 24 Tributos. Eles são confinados em uma arena e lutam pela sobrevivência, mantando uns aos outros e tentando sobreviver às más condições climáticas e à falta de alimentos (tudo isso sendo manipulado pelos Idealizadores). No final, apenas um é o(a) vencedor(a) e, tal sortudo(a) poderá gozar de uma vida tranquila após os Jogos.

E é nesse o contexto que a nossa heroína, Katniss Everdeen, está inserida. Habitante do Distrito 12, um dos mais pobres de Panem, nossa heroína é uma sobrevivente da vida. Uma menina linda de 16 anos que desde a morte do pai teve que aprender a se virar sozinha para conseguir comida e alimentar sua irmã (Prim Everdeen) e sua mãe. Ela também tem um grande companheiro, Gale, que junto com ela, busca a sua sobrevivência e de sua família na floresta próxima ao Distrito.


Katniss acaba indo participar da 74ª edição dos Jogos Vorazes, no lugar de sua irmã, junto com Peeta Mellark. Nos Jogos, eles terão ajuda de seu mentor, Haymitch, da representante do Distrito 12 na Capital, Effie Trinket, e dos estilistas Cinna e Portia. Com esse ajuda, eles deverão se apresentar como mais um produto de divertimento da Capital. Mas, até onde vai a encenação e o que é verdade para Katniss e Peeta?

Creio que tudo o que disse são informações importante e essenciais para quem irá ler o livro. Falar mais pode estragar o prazer que é ler esse livro. 

Da metade para o final, simplesmente devorei! Nas partes mais intensas, sentia até uma adrenalina percorrer meu corpo, ficava com falta de ar e ansiosa, de tão envolvente que o livro é. Suzanne Collins tem um jeito de escrever único e envolvente, de tal forma que consigo imaginar cada detalhe da cena e me sentir no próprio Jogos Vorazes. Não é à toa que a série tem milhares de fãs pelo mundo.

Sinopse:
Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?
Os principais personagens são: Katniss Everdden, Prim Everdeen, Gale, Peeta Melark, Haymitch, Effie Trinket e Cinna.

ISBN: 978-85-7980-024-5 Editora: Rocco Páginas: 399 Nota: 5/5
O livro é direto, sem muitas enrolações, mas com todos os detalhes necessários para nos sentirmos dentro da história. Ele é narrado pela protagonista Katniss, em primeira pessoa, portanto, tudo o que sabemos é através de seu ponto de vista.

Esse enredo foi um dos mais envolvente que já li. Fiquei imensamente surpresa com o desenrolar da história, com o final e estou muito ansiosa pela continuação da trilogia, o livro "Jogos Vorazes: Em Chamas". Não obstante, é muito interessante a mensagem filosófica que o livro apresenta. Jogos Vorazes não é apenas um show de carnificina. Aliás, o livro está muito longe disso. A forma como Suzanne aborda o poderio da Capital e a forma como trata os habitantes de Panem (como marionetes) faz com que a gente pense um pouco em nós mesmos... A forma como a rebeldia de Katniss e Peeta contra a Capital é apresentada e o final, aparecem como uma forma de esperança. Creio que o filme aborda mais claramente esse aspecto, e sobre ele é que passaremos a falar.

# Filme

Muito bom, conseguiu abordar os principais aspectos, bem como passar a mensagem do livro. Como sabemos, um filme baseado em um livro dificilmente conseguirá ser tão bom nas telas quanto no papel, com algumas raras exceções. Mas, sou da opinião de que se o filme consegue passar uma mensagem fidedigna do livro, ele já pode ser considerado um bom filme, o que é o presente caso. 

Adoro a atuação de Jennifer Lawrence e ela esteve brilhante nesse primeiro filme! Só achei uma pena que a relação de Katniss (Jennifer Lawrence) e Peeta (Josh Hutcherson) tenha sido abordada superficialmente. Sou da opinião de que deveriam abordar um pouco mais os dois, mas claro que entendemos, pois a passagem de tempo no filme é bem mais rápida que no livro... 

O filme parece abordar também aspectos dos outros livros e também achei interessante a reação dos Distritos durante os Jogos Vorazes, o que não é abordado no livro.

Adorei a atuação de Stanley Tucci como Caesar Flickerman, porque sou muito fã dele, e também uma maior participação de Gale (Liam Hemsworth). Também temos no filme uma maior participação do Presidente Snow, o que não vemos muito no livro.

Enfim, um filme muito bom!

"Feliz Jogos Vorazes! E que a sorte esteja sempre a seu favor!"

01/05/2014

"Eu Te Sinto", de Irene Cao

Então, logo após a leitura do livro "Eu Te Vejo", eu não resisti e em seguida li o segundo livro da série, "Eu Te Sinto".


Para quem ainda não leu "Eu Te Vejo", recomendo não ver esta resenha. Dessa forma, sugiro que você leia a resenha do primeiro livro da série que fiz aqui e, caso se interesse, leia o livro.

Nesse segundo livro, a história da nossa heroína, Elena Volpe, se passa em Roma, numa relação estável e confortável com Fillipo. Passaram-se cerca de três meses, depois do final do último livro e Elena está reconstruindo sua vida ao lado daquele que ela entende ser seu amor e seu porto seguro, Fillipo. Ela se reergueu do choque que teve com Leonardo e começou do zero, uma nova vida, com um homem melhor e em uma nova cidade.

Elena é outra mulher, mais madura e mais segura de si e ciente do interesse que provoca em outros homens. Ela foi morar com Fillipo em Roma e lá acaba trabalhando na igreja de San Luigi, restaurando uma capela junto com uma das melhores (e exigentes) restauradoras de Roma, Paola Ceccarelli, por indicação de sua professora Borraccini.

Mas, eis que Leonardo reaparece, provocando em Elena sentimentos contraditórios, como paixão e ódio, e ela se vê, novamente, dividida entre o amor que sente por Fillipo e o desejo que sente por Leonardo. A sensação que me dá é a seguinte: Fillipo representa aquela segurança de ter uma relação estável e um lar feliz, enquanto Leonardo representa o perigo, o prazer, a aventura e o coração acelerado que uma vez ou outra é sempre bom para apimentar a relação.

Esse livro não trata mais da busca do prazer pura e simplesmente, mas do reencontro de almas. Creio que falar mais pode estragar a surpresa que é o livro. E, acho que, no final, ela tomou a decisão mais acertada, decisão que mostra o quanto a nossa personagem cresceu e se tornou uma mulher madura.

Nesse livro também aparece o Martino, um estudante que acaba nutrindo uma paixão platônica por Elena e que acaba abrindo os olhos da nossa protagonista para os seus verdadeiros sentimento. Também contamos com a presença de Paola, uma mulher muito misteriosa e muito exigente no trabalho, mas que também apresenta seu lado humano, de uma pessoa que também ama e sofre, como qualquer outra.

Mais uma vez o erotismo e sensualidade do livro é retratado de forma a não ficar vulgar. Esse segundo livro reforça aquilo que dissemos na resenha do primeiro livro, de que o erotismo não é o aspecto mais importante no livro, mas sim o amadurecimento de Elena.

Além disso, a cidade de Roma é muito bem ambientada, sendo retratado seus costumes e sua cultura de forma bem detalhada. Roma é muito diferente de Veneza (cenário do primeiro livro), uma cidade mais moderna, assim como a nossa protagonista.

Por fim, o segredo de Leonardo é desvendado. Nesse livro vamos entender do porquê dos seus sumiços e de suas idas misteriosas à Sicília, o significado da tatuagem nas suas costas... E vamos entender também as suas atitudes para com Elena.

Sinopse:

É inútil resistir à paixão quando ela te escolhe. O inesperado reencontro de Elena e Leonardo em Roma os levará ao verdadeiro amor? Elena virou a página. Os dias de paixão e loucura com Leonardo a tornaram uma mulher mais forte, a conduziram ao lado sombrio do prazer, mas agora são apenas uma lembrança que de vez em quando atravessa seu pensamento. Hoje Elena sabe o que quer e escolheu Filippo: é por ele que deixou Veneza e se mudou para Roma. A vida deles juntos é uma perfeita harmonia, tanto na cama como fora dela. Mas apagar de vez o passado, se o destino faz de tudo para impedir isso, é impossível. Porque a história com Leonardo parece ainda não ter acabado: basta um encontro casual para reacender o fogo que, na verdade, nunca tinha apagado.É noite de seu aniversário de 30 anos, e Elena não poderia imaginar que o restaurante onde Filippo a levou para comemorar seria... o de Leonardo! Aquele olhar que toca o coração e, em seguida, um único beijo, roubado na cozinha do local, são um emocionante novo começo. Em Eu te sinto, a continuação de Eu te vejo, não há mais regras, agora as cartas estão na mesa: não é mais necessário esconder o amor e o sexo, não é mais uma mera busca do prazer em estado puro, mas um reencontro de almas que se pertencem. Até quando o segredo mais inconfessável de Leonardo vem à luz e Elena deverá decidir se está disposta a pagar o preço.
As personagens principais são: Elena, Leonardo, Fillipo, Martino, Paola e Gaia.

ISBN (livro eletrônico): 978-85-8106-176-5 Editora: Objetiva Páginas: 176 Nota: 5/5
Gostei muito mais desse livro do que do primeiro e estou muito, muito ansiosa pela chegada do terceiro livro "Eu Te Quero", que só estreia no Brasil em julho/2014!

Boa leitura!!

"Eu Te Vejo", de Irene Cao

Este livro foi uma grata surpresa que caiu em minhas mãos.

"Eu Te Vejo" é um romance adulto e o primeiro livro de uma trilogia escrita pela escritora italiana Irene Cao. Ainda não conhecia essa escritora e me parece que seu sucesso veio após o lançamento desses livros.


A história se passa na linda Veneza, Itália, e a protagonista, Elena Volpe, é uma restauradora de 29 anos que está em meio a um grande desafio: restaurar um afresco dos anos 1700 num palácio, de um artista desconhecido, cujo tema é o rapto de Proserpina. Elena é uma pessoa detalhista e delicada, portanto, esse parece ser o trabalho perfeito para uma pessoa como ela. Logo, Elena sabe que o dono do palácio irá hospedar um famoso chef de cozinha, que irá para a cidade para a inauguração de um restaurante.

O chef de cozinha é Leonardo Ferrante, um homem atraente e misterioso, que logo corrompe o corpo, a alma e os sentidos de Elena, envolvendo-a numa relação repleta de erotismo e sensualidade, ambientada pela linda cidade de Veneza e por uma gastronomia afrodisíaca. Elena vê-se cada vez mais envolvida por essa relação, na qual Leonardo não promete sequer fidelidade. Por outro lado, a mesma inicia uma relação amorosa com seu melhor amigo, Fillipo, que a entende perfeitamente e que se apresenta a ela como um porto seguro. Dessa forma, desenrola-se uma espécie de triângulo amoroso, no qual a nossa heroína fica dividida.

Antes de ler "Eu Te Vejo", pensava que ele era apenas mais um dos muitos romances eróticos que estão nas prateleiras das livrarias, porém, felizmente, me enganei. Claro, é um livro que tem sua pitada de erotismo, mas, na minha opinião, o ingrediente principal é a evolução da nossa protagonista. Elena no início do livro era uma mulher recatada, que tinha vergonha de seu corpo, que se sentia confortável com suas roupas largas e que passava despercebida pelas ruas de Veneza. A relação com Leonardo criou um verdadeiro rebuliço na vida de Elena e ela teve um amadurecimento extraordinário.
"Antes de Leonardo não acontecia com tanta frequência, talvez porque eu evitasse isso inconscientemente, mantendo as pessoas a distância de alguma maneira. Não sou mais a mesma, tenho uma energia nova, sensual." (página 136 do Ebook)
Creio que muitas de nós, mulheres, podemos identificar um pouco de nós em Elena. Ela é real, poderia ser uma amiga próxima ou mesmo nós. Ela toma decisões acertadas, mas também erra. Ela se apaixona perdidamente e perde o controle, mas ela também tenta dar a volta por cima. Ficamos com raiva dela em certos momentos, mas também, quem nunca perdeu o controle de sua vida devido a uma paixão?

Achei a história muito bem elaborada, li o livro com aquela sensação de que a autora teve a preocupação com todos os pequenos e grandes detalhes e de que tudo, ao final, fazia sentido. O rapto de Proserpina, onde Plutão (Hades) rapta Proserpina (Perséfones) e leva-a para as profundezas da terra é um bom exemplo, pois a sensação que temos é que Leonardo também raptou Elena e a aprisionou em seu mundo. A gastronomia foi muito bem escolhida e os passeios em Veneza fazem com que a história tenha um aspecto cultural que fazem com que o livro se torne magnífico.

O erotismo e a sensualidade foram muito bem exploradas, de forma a não tornar o livro vulgar. As cenas sexuais são de tirar o fôlego, tendo sido muito bem tratadas, sem cair na banalidade.

Capa do livro
Sinopse:
Apesar de apaixonada pela arte e pelas cores de Veneza, cidade onde vive, a jovem restauradora Elena Volpe tem seu coração como uma tela em branco, pois nunca viveu uma grande paixão. Com 29 anos, a protagonista de Eu te vejo tem a sua vida transformada com a chegada de Leonardo Ferrante, um famoso chef de cozinha e o mais novo inquilino do palácio onde trabalha na restauração de um afresco. O encontro com Leonardo abala suas certezas, abrindo as portas de um paraíso inexplorado. O chef sabe que o prazer é uma conquista para todos os sentidos – tem uma forma, um odor, um sabor – e guiará Elena até os limites mais doces e extremos do sexo, mas sob uma condição: nunca deverá se apaixonar por ele. A jovem aceita a proposta e deixa-se seduzir por este homem de passado misterioso, que parece fugir de seu desejo de prendê-lo a ela para sempre. Em Eu te vejo, Irene Cao revela uma trama de escrita suave, como o pincelar cuidadoso de uma restauração, e saborosa, como a gastronomia italiana. Tendo como cenário a exuberante cidade de Veneza, o primeiro volume da primeira trilogia erótica italiana traz todos os sentidos envolvidos na paixão entre Elena, uma mulher que não conhece o amor, e Leonardo, um homem que só conheceu o lado mais obscuro desse sentimento.
O final é surpreendente, mas não gostei. E não gostei apenas porque sei que a história possui uma continuação e que talvez a nossa protagonista não tenha feito a coisa certa. Mas o livro me deixou com aquela sensação de que quero mais, tanto é que logo em seguida emendei a leitura do segundo livro! Hahaha!

As personagens principais são: Elena Volpe, Leonardo, Fillipo e Gaia (melhor amiga de Elena).

ISBN (livro eletrônico): 978-85-8105-177-2 Editora: Objetiva Páginas: 215 Nota: 4/5
Os próximos livros da série são:
- Eu Te Sinto
- Eu Te Quero (lançamento em julho/2014)

Boa leitura!!

21/04/2014

"Métrica", de Colleen Hoover

“Métrica” é um dos sucessos da escritora americana Collen Hoover e foi lançado desde 2012 aqui no Brasil. Portanto, por haver uma grande quantidade de resenhas na internet falando positivamente sobre o livro, fiquei um pouco curiosa para lê-lo.



O livro pertence ao gênero literário “New Adult”, que eu ainda não tinha tido a oportunidade de ler. Esse gênero abrange temas um pouco mais pesados para a literatura juvenil. O primeiro do gênero a ser publicado no Brasil foi “Belo Desastre”, da escritora americana Jamie McGuire (e que já está na minha lista de próximas compras).

"Poesia, amor e tragédia" é a promessa (cumprida!) deste livro. “Métrica” retrata a história de uma jovem de 18 anos chamada Layken (Lake) que há seis meses perdeu o pai e que se muda do Texas para Ypsilanti, no Michigan, junto com sua mãe Julia e seu irmão de 09 anos, Kel. Portanto, a história se inicia quando a nossa heroína está passando por esse turbilhão de emoções, tendo que suportar a perda do pai e, ao mesmo tempo, deixando sua cidade natal, junto com sua história, sua escola e seus amigos.

Ocorre que, logo ao chegar em seu novo lar, Lake conhece seu vizinho Will e os dois acabam se apaixonando um pelo outro. Will também passou por grandes perdas, assim como Lake, o que faz com que os dois consigam entender o que se passa com o outro. Ao mesmo tempo, o irmão de Lake, Kel, se torna melhor amigo do irmão mais novo de Will, Caulder.

Não demora muito para os dois saberem que a paixão entre eles é proibida, o que acaba se tornando um martírio... Mas, no meio da trama, Lake passa a vivenciar outro drama em sua vida o que faz com que os dois acabem se aproximando novamente.

A história é meio piegas, achei muito “o-mesmo-romance-de-sempre”, com um amor proibido que faz com que o casal passe por grandes provações para no final ficarem juntos e "felizes-para-sempre"... E em algumas partes dá uma espécie de raiva da protagonista principal, pelo jeito como ela lida com os problemas ao seu redor, pela sua imaturidade em lidar com a vida...

No entanto (e felizmente!) o livro apresenta algo a mais e creio que por isso tem feito tanto sucesso. No primeiro encontro entre o casal, Will leva Lake para uma competição de poesia chamada “slam”. O “slam” é uma espécie de competição onde as pessoas recitam poesias de um jeito performático, expondo a sua alma. No “slam” pouco importa a qualidade técnica das poesias, o que mais importa é sua emoção. Daí decorre o nome do livro: “Slammed”, em inglês, e “Métrica”, em português. Muitas emoções no livro são expressas através de poesia, o que acaba se tornando o diferencial do livro e faz com que fiquemos emocionados em muitas partes.

Além dos personagens Will, Lake, Coulder e Kel, o livro conta com a presença de Eddie, a melhor amiga de Laken, que nos mostra que sempre é momento para recomeçar, e com Julia, a mãe de Lake, que nos demonstra um amor incondicional pelos filhos, coragem e uma vontade de viver contagiante.

Sinopse:
O romance de estreia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina. Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz; por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor.

Um detalhe interessante é que o casal da história é fã da banda The Avett Brothers, sendo que cada capítulo se inicia com um trecho de uma música da banda e esse banda existe de verdade!

ISBN: 978-85-01-40186-1 Editora: Record Páginas: 299 Nota: 4/5

O livro tem uma linguagem super simples e envolvente, em um dia eu o li porque não queria mais parar de ler!

Acho que a história poderia acabar por aqui, mas "Métrica" é o primeiro livro de uma trilogia que ainda conta com:

- Pausa (2012)
- This Girl (não sei se já estreou no Brasil)

Capa da versão americana

"Às vezes, a vida fica no meio do caminho.
Fica totalmente no meio do seu maldito caminho.
Mas ela não fica totalmente no meio do seu maldito
caminho por querer que você desista e deixe que assuma o
controle. A vida não fica totalmente no meio do seu
maldito caminho só porque quer que você deixe tudo nas
mãos dela e seja levado por ela.
A vida quer que você lute.
Que aprenda a fazer uma vida sua."

19/04/2014

"O Mundo de Sofia", de Jostein Gaarder

Passei quase dois meses lendo esse livro e tive várias impressões dele durante esse tempo. Se você é o tipo de pessoa que não gosta de filosofia ou que até gosta de filosofia, mas não gosta de livros densos (não quanto à quantidade de páginas, mas quanto à qualidade de informações), então, nem leia “O Mundo de Sofia”. Sério, quando chegar no terceiro capítulo você vai querer se matar (acho que exagerei... Na verdade, você não vai mais querer ler o livro e só isso).

Por outro lado, se você busca um livro recheado de conteúdo filosófico com uma história surpreendente e não se importa em ler histórias densas, então, posso dizer que este é o livro certo para você.

Capa antiga do livro
Bom, posso dizer que li este livro no momento certo, porque, além de realmente querer lê-lo eu estava necessitando de uma base filosófica, mesmo que superficial. Em 2005 peguei esse livro emprestado com uma amiga e não conseguia passar do quarto capítulo. Ano passado resolvi devolvê-lo, mas, mais por vergonha mesmo de estar tanto tempo com o livro dela e nem sequer ter coragem de pegá-lo para ler todo (e, claro, ela nem se lembrava mais que esse livro estava comigo...). Devido à minha necessidade de momento, comprei um exemplar e li o mesmo nos últimos dois meses.

Minhas impressões? Como disse anteriormente, foram as mais variadas. Houve momentos em que eu me deliciava com a história e outras em que a história estava tão entediante, que queria desistir de ler... Em outros, eu lia os textos filosóficos duas, três vezes, para poder assimilar bem seu conteúdo, já outros textos passei bem rápido ou porque eram chatos ou porque conseguia assimilá-los logo na primeira leitura. E aí, quando a gente chega na metade do livro e a história dá uma reviravolta... Minha empolgação voltou e eu simplesmente devorei o livro da sua metade até o final.

O livro conta a história de uma menina chamada Sofia Amundsen que está prestes a completar quinze anos e passa a receber cartas anônimas de um curso de filosofia de um filósofo chamado Alberto Knox. No entanto, além do curso, ela recebe também cartões postais do Líbano, endereçados a uma menina chamada Hilde Moller Knag, do seu pai Albert Knag. Sofia passa a não entender o que está acontecendo, pois não conhece nenhuma menina chamada Hilde, muito menos um major Albert. Ainda sim, aos poucos, ela começa a aprofundar o seu conhecimento de filosofia, com o curso que Alberto Knox leciona para ela, seja através de cartas ou através de conversas devidamente ambientadas ao contexto.

Sobre o conteúdo filosófico em si, o mesmo nos dá uma noção geral sobre o pensamento dos filósofos mais importante da história. Desde os filósofos da natureza, passando por Sócrates, Platão e Aristóteles, chegando à Idade Média com os ensinamentos de Santo Agostinho, entrando no período da Renascença, do Romantismo, até chegar aos principais filósofos modernos, como Marx, Hegel, Darwin e Freud, o livro apresenta uma visão geral sobre a história da filosofia. Mas, claro, o livro é um romance e não pretende ser um curso aprofundado de filosofia. Creio que a principal intenção de Jostein Gaarden foi despertar o interesse filosófico de muitos jovens e adultos e dar-lhes uma base importante para poderem se aprofundar depois, caso tenham interesse.

Na metade do livro, a história dá uma reviravolta e passa a acontecer em dois planos. E foi essa parte que achei interessantíssima e muito inteligente da parte do escritor. Não vou contar mais detalhes, pois quero que outras pessoas se surpreendam com a história, mas não posso deixar de falar que um novo livro começa a partir dessa mudança.

A história se passa na Noruega e também revela detalhes interessantes sobre a cultura norueguesa. Os principais personagens do livro são: Sofia Amundsen, Alberto Knox, Hilde Moller Knag e Albert Knag. Além desses quatro, o livro conta com a presença singular da amiga da Sofia, a Jorrun, e da mãe de Sofia, Helene Amundsen.

ISBN: 978-85-359-2189-2 Editora: Companhia das Letras Páginas: 566 Nota: 4/5
A sinopse:
Cartas anônimas começam a chegar à caixa de correio da menina Sofia. Elas trazem perguntas sobre a existência e o entendimento da realidade. Por meio de um thriller emocionante, Gaarder conta a história da filosofia, dos pré-socráticos aos pós-modernos, de maneira acessível a todas as idades.
Achei o livro surpreendente, apesar de algumas partes serem entediantes. O final não me agradou muito, mas pode-se dizer que é um pouco interessante e totalmente inesperado. Creio que, se o objetivo do Gaarden tenha sido passar a história da filosofia ocidental para um público que não tem muito contato com o estudo da filosofia e até despertar um pouco o interesse da matéria junto a esse público, creio que ele conseguiu.


Boa leitura! ;-*

18/04/2014

"A Culpa é das Estrelas", de John Green

Os inúmeros comentários bons e ruins sobre esse livro despertaram o meu interesse nele. Antes desse livro, eu não conhecia o escritor John Green. Desculpe-me se isso soa meio ignorante, mas, de fato, eu não o conhecia. E, imagino que, antes do boom desse livro, boa parte do mundo também não o conhecesse (tanto é verdade que agora os livros dele estão em praticamente todos os destaques das principais livrarias e ele é um dos escritores da moda). Mas, confesso que tive uma surpresa boa ao me deparar com o seu estilo de escrita.



Portanto, como o mundo fala desse livro e como estamos às vésperas do lançamento do filme baseado nesse livro, eu tinha que lê-lo. E li. E gostei. Mas, não foi aquela coisa “Ohhh, meu Deus, que livro MARAVILHOSO!!”... Não. Apenas gostei e, posso dizer apenas que gostei muito. Mas, claro, fazia muito tempo que não lia romances, então, não sou uma expert nesse gênero. Li apenas com os olhos de uma pessoa que anseia por uma boa história que me emocione. E como emocionou...

“A Culpa é das Estrelas” conta a história de Hazel Grace e Augustus Waters, mais precisamente a história de amor dos dois. Mas, não uma história de amor comum... Hazel Grace é uma menina de 16 anos que foi diagnosticada com câncer de tireóide e pulmonar e Augustus Waters é um garoto de 17 anos que possui esteossarcoma e uma de suas pernas fora amputada. Os dois se conhecem numa reunião do Grupo de Apoio e acabam se aproximando e se apaixonando um pelo outro. Uma relação linda, não fosse pelo fato dos dois serem uma bomba relógio que a qualquer momento pode explodir. E ele explodiu primeiro.

O livro apresenta uma abordagem interessante sobre a morte, no sentido de que, quando você é diagnosticado com um câncer, principalmente quando o tumor está em um estágio avançado, a morte passar a ser algo inevitável e próximo. Claro que ela é inevitável para todos nós, mas quando gozamos de boa saúde, pensamos sempre na morte como algo distante. Mas, no livro, ela é sempre tratada como algo muito próximo, como se houvesse uma contagem regressiva, como se a vida fosse acabar a qualquer momento. Nesse quadro, o escritor retrata a vida dos dois como um casulo, onde os mesmos são afastados da convivência social, dos amigos, vivendo com uma família que vive para eles. Para compensar, o autor presenteia os personagens com uma relação linda e uma história de amor emocionante. Os dois se entregaram um ao outro incondicionalmente. Os dois dedicaram um pouco do resto de suas vidas ao outro. Por isso, esse livro é envolvente e nos emociona a cada capítulo.

Green teve um cuidado especial ao abordar a vida de uma pessoa com câncer. Longe de colocá-los como “coitadinhos”, ele os tratou como pessoas normais que, claro, possuem um tratamento com sua saúde especial, uma hora ou outra “visitam” a UTI de algum hospital, mas que também amam, se divertem, são “cabeça-dura”, possuem sonhos e lutam pela vida, pela sua vida.

Sinopse: 
“Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante – o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos –, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, “A Culpa é das Estrelas” é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.”
O livro é contado em primeira pessoa pela Hazel Grace e os personagens principais são: Hazel Grace, Augustus Waters, Isaac e os pais da Hazel e do Augustus. A linguagem é bem jovial e o livro é muito leve, dar para lê-lo bem rápido.

ISBN: 978-85-8057-226-1 Editora: Intrínseca Páginas: 288 Nota: 5/5

Importante relatar, ainda, que Green se baseou numa história de Esther Grace Earl, uma menina que possuía câncer e faleceu aos 16 anos de idade. Existe até um livro contando a sua história chamado “Esta Estrela não se Apagará”.

É meio piegas o que vou falar, mas consegui aprender muito com o livro e tirei dele várias lições.

“Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir nesse mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo.” (Augustus Waters).
“Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor de quem costumávamos gostar nos ensinou isso. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus, queria mais números para o Augustus Waters do que os que ele teve. Mas, Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e eu sou muito grata por isso.” (Hazel Grace).

Boa leitura! ;-*
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